'Brasil não quebra com Lula, mas fica condenado a um crescimento medíocre', diz ex-banqueiro conselheiro da Natura
O administrador Fábio Coletti Barbosa, de 72 anos, presidente do conselho da Natura e com passagem pela presidência do Santander Brasil e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), avalia que o país não enfrentará um cenário de ruptura econômica, mas tende a conviver com um crescimento limitado. "O Brasil não quebra. O país tem hoje as contas externas em ordem, uma inflação sob controle, o Banco Central independente, uma produção de petróleo importante, uma agricultura pujante, energia abundante, uma produção de metais robusta. O presidente Lula tem aberto muitos mercados", afirmou. "Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento."
Sem declarar o voto, mas identificado com o espectro político de centro — em 2022 apoiou Simone Tebet —, Barbosa critica a política de ampliação de gastos públicos como forma de fomentar a economia. "Se fosse verdade que gastos públicos maiores são bons para mitigar a pobreza, não haveria pobres no Haiti, no Congo e na Índia", disse, defendendo o aumento da produção e não apenas a distribuição de renda. Ele também aponta que a equipe de Flávio Bolsonaro havia sinalizado disposição para corrigir o desequilíbrio fiscal, enquanto o presidente Lula só tratou do tema da responsabilidade fiscal após a eleição.
O executivo se diz favorável às políticas sociais do governo, mas defende um "pente-fino" para identificar quem recebe os benefícios indevidamente. "A esquerda não tem o monopólio do bem-estar social do país. As pessoas que argumentam por um equilíbrio fiscal também buscam o bem-estar social", afirmou. Como exemplo de distorções, citou pessoas que trabalham sem registro para continuar recebendo benefícios e casais que se separam para que cada um receba o auxílio.
Entre as medidas que considera necessárias para ajustar as contas públicas, Barbosa menciona uma reforma administrativa, o corte de penduricalhos no Poder Judiciário e a revisão dos benefícios sociais. Ele alerta que injetar dinheiro na economia sem aumento correspondente da produção gera inflação e, por consequência, juros mais altos, o que penaliza as pessoas de menor poder aquisitivo. Para o executivo, 2027 será um ano difícil do ponto de vista econômico, porque o atual modelo defendido pelo governo já não se sustenta.
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