Banco do Brasil (BBAS3): lucro sobe e supera projeções, mas por que ações caíram 4%?
Banco do Brasil (BBAS3): lucro supera projeções, mas ações fecham em queda de 4%
O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 14% ante o trimestre anterior e de 3% na comparação anual. O resultado, divulgado na noite de quarta-feira (12), superou as estimativas do mercado, beneficiado por menores despesas com provisões jurídicas, controle de custos e receitas extraordinárias. Apesar disso, os papéis fecharam em queda de 4,16%, a R$ 18,21, após comentários da diretoria durante a teleconferência de resultados.
O vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do banco, Geovanne Tobias, afirmou que as provisões deverão ficar na ponta alta das estimativas da instituição, enquanto o lucro deve ficar na ponta baixa. Analistas de bancos como XP, Itaú BBA, Bradesco BBI, Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan avaliaram que a qualidade do resultado é questionável. O Itaú BBA classificou o desempenho como um "beat de baixa qualidade", com a surpresa positiva vinda de provisões inferiores à formação de novos créditos problemáticos e de efeito tributário favorável.
A deterioração da carteira de pessoas físicas foi o principal tema do trimestre. A inadimplência acima de 90 dias nesse segmento saltou para 8,4%, ante 6,8% no trimestre anterior. Nos cartões de crédito, os atrasos mais que dobraram, atingindo 14,6%, segundo a XP. O Itaú BBA observou que a formação de novos créditos inadimplentes em pessoas físicas mais que dobrou na comparação trimestral, chegando a R$ 11,8 bilhões. A inadimplência total acima de 90 dias atingiu 5,61%, ante 3,96% um ano antes.
No agronegócio, a XP destacou avanços na cobertura de provisões, que chegou a 99,3% dos saldos combinados de estágio 2 e 3. Por outro lado, os atrasos iniciais avançaram para 9%, com R$ 66,5 bilhões em operações rurais com prorrogação legal de prazo e R$ 39,3 bilhões enquadrados no programa BB Regulariza Agro. A margem financeira somou R$ 27,5 bilhões, estável ante o trimestre anterior, enquanto as receitas de prestação de serviços atingiram R$ 9,1 bilhões.
O capital regulatório emergiu como novo foco de atenção. O índice de capital principal (CET1) caiu para 11,27%, recuo de cerca de 30 pontos-base no trimestre, influenciado por ajustes atuariais ligados à Previ e pelo crescimento dos ativos fiscais diferidos (DTAs). O JPMorgan destacou que os DTAs líquidos chegaram a aproximadamente R$ 87 bilhões, cerca de 48% do patrimônio, e avaliou negativamente o fato de o patrimônio líquido ter encolhido mais de R$ 5 bilhões apesar do lucro, devido aos impactos atuariais registrados em outros resultados abrangentes.
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