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Adaptação climática requer US$ 1,2 tri por ano até 2050, mas 60% estão travados

Atualizado em 04/11/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um estudo do McKinsey Global Institute aponta que, até 2050, o mundo pode deixar de aplicar US$ 690 bilhões em gastos anuais potenciais com adaptação climática. O cálculo considera um cenário de aquecimento de 2°C, que as trajetórias atuais de emissões indicam poder ser alcançado até meados do século. Proteger pessoas e locais aos padrões das economias desenvolvidas nesse cenário custaria cerca de US$ 1,2 trilhão por ano.

Segundo a pesquisa, o obstáculo não está na ausência de soluções nem no valor econômico envolvido. Sistemas de resfriamento protegem pessoas do calor, a irrigação resguarda colheitas e defesas contra enchentes protegem casas e empresas. Em média, as medidas de adaptação geram benefícios em perdas evitadas equivalentes a três vezes o seu custo. A questão central é transformar esse valor econômico em proteção efetiva para quem precisa dela.

Do total necessário, cerca de US$ 460 bilhões — ou 40% — provavelmente estariam prontos para implantação. A maior parte desse montante financiaria resfriamento, gestão de águas pluviais e irrigação em locais de alta renda, com maior capacidade de pagamento e acesso a financiamento. Os 60% restantes enfrentam barreiras, reunidas pelo estudo em três grupos: acessibilidade, disposição e capacidade de agir, e condições de financiamento.

A acessibilidade é a maior barreira e afeta medidas que custam cerca de US$ 440 bilhões por ano. Em regiões de baixa renda expostas ao calor e à seca, a adaptação compete com alimentação, moradia e outras necessidades básicas, e credores podem duvidar da capacidade de pagamento do tomador. O estudo cita o exemplo de Ahmedabad, na Índia, onde telhados refletores ofereceram proteção relativamente barata contra o calor extremo, mas as instalações individuais eram pequenas demais para atrair financiamento convencional. Ao reunir milhares de famílias e combinar subsídios com crédito, a cidade e o Mahila Housing Trust ajudaram a superar os dois obstáculos.

Um segundo conjunto de barreiras afeta medidas que custam cerca de US$ 210 bilhões anuais, em situações nas quais falta disposição ou capacidade de agir. Alguns proprietários de terras ou instituições podem arcar com custos desproporcionais por medidas que beneficiam comunidades inteiras, o que enfraquece os incentivos para cooperar. Já os US$ 40 bilhões restantes enfrentam barreiras de financiamento, mesmo onde existe demanda: projetos que evitam perdas em vez de gerar receita podem ter dificuldade para atrair recursos. Para o estudo, a adaptação não é um mercado único, mas uma coleção de oportunidades em diferentes estágios de prontidão.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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