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A nova era da 'guerra às drogas', no centro da estratégia de Trump para a América Latina

Atualizado em 09/10/2026 às 14:50 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A política de combate às drogas dos Estados Unidos na América Latina entrou em uma nova fase sob o governo de Donald Trump, marcada pelo aumento da militarização e por uma retórica que equipara traficantes a terroristas. A avaliação é de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, que apontam uma ruptura com abordagens anteriores.

Segundo a cientista política Vanda Felbab-Brown, pesquisadora sênior da Brookings Institution, trata-se de "uma nova era, por vários elementos", sendo o principal deles a "militarização extrema, sem precedentes". Ela lembra que os EUA já haviam enviado forças de operações especiais à Colômbia em períodos anteriores, mas havia então um componente de fortalecimento institucional que, agora, está "completamente fora da agenda". Para a especialista, a estratégia atual está ligada a uma agenda de extrema direita e a um esforço político e ideológico nos países da região, além dos objetivos americanos no continente.

Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro do ano passado, os EUA designaram mais de 20 cartéis e organizações criminosas latino-americanas como Organizações Terroristas Estrangeiras. Apesar da oposição do governo brasileiro, as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foram incluídas na lista, ao lado de grupos de países como Colômbia, El Salvador, Equador, Venezuela e México. No mesmo período, os EUA iniciaram ataques militares contra pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico, que mataram mais de 200 pessoas. A justificativa, sem apresentação de evidências, era de que se tratava de "narcoterroristas" transportando drogas.

O governo americano sustenta que os EUA enfrentam um "conflito armado" com os cartéis, argumento jurídico semelhante ao usado na "guerra ao terror" após 2001. Especialistas em direito internacional questionaram a legalidade dos ataques, lembrando que traficantes, mesmo suspeitos de crimes, são civis e não "combatentes", estando sujeitos à lei penal. O relator especial da ONU para a proteção dos direitos humanos, Ben Saul, descreveu os episódios como "mortes extrajudiciais" e "uma grave violação do direito à vida".

Para John Walsh, diretor para Políticas de Drogas e dos Andes do Washington Office on Latin America, a ofensiva integra uma agenda de imposição de domínio sobre a região, "por coerção, se necessário". Ele ressalta que cartéis são diferentes de redes terroristas e estão enraizados em comunidades de todo o continente, entrelaçados tanto em economias ilícitas quanto legais. "A ideia de que essas redes possam ser neutralizadas ou destruídas por meio de ações militares simplesmente não vai funcionar", afirma. Em janeiro deste ano, uma operação militar americana atacou Caracas para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusado pela Casa Branca de ser "chefão do tráfico" e indiciado nos EUA por narcotráfico.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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