A esperança de uma Amazônia ferida: "Leão XIV sabe onde dói em nós"
Bispos da Amazônia peruana veem visita do Papa como apelo à conversão e à defesa dos povos indígenas
A próxima Viagem Apostólica do Papa Leão XIV ao Peru, prevista para novembro e com duração de sete dias, incluirá uma parada em Pucallpa, na região amazônica. A escolha da cidade gera grande expectativa entre as Igrejas locais, que enxergam na visita mais do que uma celebração: uma oportunidade de colocar no centro da Igreja as feridas da Amazônia e a dignidade de seus povos.
Em diálogo com o programa “León XIV vuelve a casa”, os bispos de Iquitos e Puerto Maldonado, dom Miguel Ángel Cadenas e dom David Martínez de Aguirre, afirmaram que Pucallpa pode se tornar um lugar de onde o Papa se dirija a toda a região Pan-Amazônica e à Igreja universal. Para dom Cadenas, a escolha dá continuidade ao caminho iniciado por Francisco, que visitou Puerto Maldonado em 2018. Ele destacou que Leão XIV conhece de perto a realidade peruana, por sua experiência pastoral em lugares como Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e que a mensagem transmitida da selva poderá moldar o rumo da Igreja Amazônica nos próximos anos.
Um dos principais temas esperados na mensagem papal é a situação dos povos amazônicos e os problemas socioambientais que enfrentam, especialmente diante das consequências do extrativismo. “Na Amazônia, a exploração dos recursos naturais é completamente injusta”, alertou dom Cadenas, ressaltando que o discurso do Papa sobre dignidade humana e cuidado com a criação terá forte impacto. Os bispos também lembram que Leão XIV conhece as realidades do litoral, da serra e da selva peruana. “Ele falará conosco onde sabe que nos fará bem, onde estamos sofrendo; ele sabe qual palavra precisamos ouvir”, afirmou dom Martínez de Aguirre.
Para os prelados, a visita é uma continuação do processo iniciado por Francisco em Puerto Maldonado, que simbolicamente começou o caminho para o Sínodo da Amazônia e, depois, para o Sínodo sobre a Sinodalidade. Dom Martínez de Aguirre destacou que a sinodalidade significa recuperar uma dimensão essencial da Igreja: caminhar juntos, ouvir e discernir em comunidade. Ele também identificou na espiritualidade de Leão XIV dois aspectos centrais: unidade e missão, marcados por sua formação agostiniana e por sua trajetória missionária.
Os dois bispos concordam que a visita não deve se limitar a grandes celebrações. Para dom Cadenas, a chegada do Papa deve levar os católicos peruanos a examinar como vivem sua fé e seu compromisso com os mais vulneráveis, com consequências sociais e políticas na defesa dos pobres. Dom Martínez de Aguirre convidou a todos a usar a preparação para a visita como oportunidade de revitalizar paróquias, dioceses e grupos apostólicos. O verdadeiro desafio, concluem, será o que a Igreja peruana fará depois de ouvir o Papa — especialmente no fortalecimento da defesa dos povos indígenas, do cuidado com a criação e da justiça social.
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