A conta que não fecha: por que a Uber não deve trazer carros autônomos ao Brasil
O baixo custo da mão de obra humana no Brasil é o principal fator que deve manter o país fora da rota de expansão dos carros autônomos da Uber nos próximos anos. Em entrevista ao podcast 20VC, o presidente e COO da companhia, Andrew Macdonald, afirmou que a tarifa média de uma corrida no país fica entre US$ 3,5 e US$ 4, patamar que torna inviável, por ora, a competição com veículos sem motoristas.
“Levará décadas até que o custo do autônomo comprima ao ponto de competir com esse custo de trabalho humano”, disse o executivo. Em 2024, a empresa estimava que corridas feitas por humanos nos Estados Unidos geravam um custo de cerca de US$ 2 por milha (1,6 km) à plataforma. Apenas os gastos com hardware, operação e gerenciamento de frota de carros autônomos já superariam esse patamar, sem contar despesas com marketing, incentivos, pagamentos e jurídico.
Atualmente, apenas cerca de 0,1% das corridas da Uber nos 75 países em que atua são feitas por veículos autônomos. Mesmo com crescimento do volume, a representação percentual tende a continuar baixa, porque o número total de corridas do aplicativo, majoritariamente conduzidas por humanos, segue em expansão. Dados de 2025 mostram que a divisão de mobilidade da empresa gera um volume cerca de 50 vezes maior que o segmento de veículos autônomos.
Apesar disso, a companhia vê potencial no setor. Em Austin e Atlanta, praças que receberam os primeiros testes, a média de viagens por veículo ao dia é 30% superior a outros mercados. A Uber projeta que o mercado endereçável com veículos autônomos nos Estados Unidos pode chegar a US$ 1 trilhão, desde que os preços das corridas fiquem abaixo de US$ 1 por milha. A empresa tem destinado bilhões de dólares por ano ao segmento, que Macdonald classifica como “o maior investimento individual que fazemos”.
O movimento marca uma retomada após a venda do braço de desenvolvimento próprio, o ATG, durante a pandemia, quando a companhia perdeu 84% da receita bruta em três semanas. Até o fim de 2026, a Uber espera intermediar corridas autônomas em até 15 cidades pelo mundo. Na última semana, iniciou operação em Zagreb, na Croácia, em parceria com a Verne e a Pony AI. O Brasil, porém, deve continuar de fora da lista.
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