Venezuela pode abandonar bolívar pelo dólar na maior troca de moeda desde o euro
O economista Steve Hanke, professor da Universidade Johns Hopkins e conhecido como “Doutor Dinheiro”, foi nomeado assessor especial de uma liderança da Assembleia Nacional da Venezuela e defende a adoção plena do dólar americano no país, o que significaria abandonar o bolívar e o banco central. A proposta, segundo ele, é a saída para a inflação de 400% que atinge a economia venezuelana.
“Domar a inflação é a chave para restaurar a estabilidade na Venezuela, e todo o resto decorre disso”, disse Hanke em entrevista à Fortune. Ele estima entre 50% e 80% as chances de a dolarização ser aprovada e afirma que seria “a maior mudança de moedas domésticas para uma moeda alternativa desde a introdução do euro, em 1999”. O dólar já é amplamente usado no país, após o bolívar perder 78% de seu valor em relação à moeda americana no último ano.
Hanke já participou de processos semelhantes no Equador, em 2000, e no Zimbábue, em 2009. Na Venezuela, ele tenta implementar o plano pela segunda vez — a primeira, nos anos 1990, não obteve maioria na Assembleia Nacional. A dívida do país, de US$ 250 bilhões, equivalente a cerca de 150% do PIB, poderia ser paga com o aumento da produção de petróleo, que atrairia investimentos estrangeiros após a mudança de moeda.
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