Trump adota cautela e evita apoio explícito a Flávio Bolsonaro no segundo turno
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, mas mantém reserva oficial e evita declarar apoio formal ao senador na disputa contra o presidente Lula no segundo turno. A postura, segundo a reportagem, resulta de um acordo entre a Casa Branca e a equipe de Flávio Bolsonaro.
Nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, Trump classificou a votação obtida pelo senador do PL como uma vitória muito grande e um resultado incrível. Flávio liderou a primeira fase com 47,03% dos votos, superando os 45,16% de Lula. Apesar dos elogios, o presidente americano não pediu votos diretamente.
Analistas ouvidos na reportagem explicam que um apoio explícito de Washington poderia ser um "tiro no pé", pois entregaria munição para Lula focar o debate na soberania nacional. Como o governo Trump aplicou tarifas e sanções recentes contra autoridades brasileiras, o PT poderia usar uma aliança aberta para pintar Flávio como aliado de interesses estrangeiros que prejudicam o Brasil, desviando a atenção de problemas internos do atual governo federal.
O histórico recente de Trump em outras eleições serve de alerta. Em 2025, intervenções diretas ou indiretas do presidente americano foram usadas por candidatos progressistas no Canadá e na Austrália para mobilizar eleitores contra "ameaças externas". No Canadá, as falas de Trump sobre anexar o país ajudaram os liberais a reverterem uma desvantagem de 20 pontos nas pesquisas. Na Austrália, o chamado "efeito Trump" aumentou a cautela dos eleitores com mudanças radicais.
Além do cálculo eleitoral brasileiro, a política doméstica americana pesa na agenda de Trump. O país se prepara para as eleições de meio de mandato em 3 de novembro de 2026, que definirão o controle da Câmara dos Deputados e de parte do Senado, além de governos estaduais importantes como Texas e Flórida. Com o foco em garantir a maioria no Congresso dos Estados Unidos, a eleição presidencial no Brasil fica em segundo plano. Manter a interlocução e a afinidade sem uma intervenção direta é visto como o caminho mais racional para o governo americano no momento.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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