Treasuries subiram demais e janela para investir se abriu, avalia JPMorgan Asset
Os juros dos títulos do Tesouro americano voltaram a renovar as máximas dos últimos 24 anos, mas a volatilidade pode ter aberto uma janela de alocação, ao menos nos trechos mais curtos da curva. A avaliação é de Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, que afirma que o mercado pode ter pesado demais a mão na expectativa de altas de juros nos Estados Unidos.
“Para o investidor brasileiro é chave reconhecer que se abriu uma janela de oportunidade em trechos de curto prazo muito interessante nos EUA, justamente por essa precificação agressiva que vemos no mercado sobre as expectativas de juros do Fed que podem acabar não se materializando”, diz a estrategista. Segundo ela, historicamente o rendimento de entrada explica boa parte do retorno seguinte, e a renda fixa de qualidade americana voltou a pagar perto de 5%.
A disparada dos rendimentos dos Treasuries se deve, na avaliação de Valentini, a um conjunto de fatores. Na ponta curta, pesam o petróleo caro e um presidente do Fed mais duro; na longa, o fiscal e a preocupação com a dívida americana, além da mudança do perfil dos compradores de títulos. “Estamos entrando num ‘novo novo normal’, e provavelmente precisaremos de juros mais altos do que a década anterior”, afirma.
A casa avalia que o mercado exagerou na precificação de três a quatro novas altas de juros entre este ano e o próximo. A leitura é de que o Fed fará apenas mais uma alta, seguida de pausa. Por gestão de risco, a preferência é pelo meio da curva, em vencimentos de cerca de cinco anos, enquanto os papéis longos seguem expostos ao fiscal americano, europeu e japonês e às incertezas do petróleo. “Se você alongar muito o duration, aí não compensaria ainda, mesmo com esse yield mais atrativo”, pondera.
No mercado acionário, a estrategista ressalta que os múltiplos ficaram menos esticados do que no início do ano e que as empresas chegam à temporada de balanços do terceiro trimestre com dívida mais baixa e margens nas máximas. Ainda assim, alerta para uma divergência relevante: desde o fim de agosto, praticamente só tecnologia e comunicação subiram. Por isso, defende seletividade, com diversificação em bancos de mercados desenvolvidos, indústrias ligadas à construção de data centers e o setor de energia. “Temos um risco de concentração que nunca vimos antes em ações dos EUA. As top 10 empresas representam 40% do índice do S&P 500”, alerta.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar