Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos selvagens takhi correm livres por morros e estepes. O animal, que chegou a ser extinto na natureza por quase três décadas, voltou a habitar terras mongóis após um projeto de restauração que envolveu pesquisadores locais e estrangeiros. O cavalo é um dos principais símbolos do país, estampado em roupas, bichos de pelúcia, muros e marcas comerciais.
Conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, o takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Geneticamente, diferencia-se do cavalo doméstico por ter 66 cromossomos, contra 64 dos domesticados. É um pouco menor, tem focinho mais claro e cauda menos espessa. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968, e a espécie foi declarada extinta na natureza. Na década de 1970, conservacionistas holandeses iniciaram um programa de reprodução em cativeiro. Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai. Até o ano 2000, cinco operações levaram 84 animais ao país, que passaram por adaptação em áreas cercadas antes de serem soltos.
“Eles tinham passado algumas gerações na Europa e em outros lugares com clima muito mais ameno e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo. Se fossem soltos diretamente na natureza, não sobreviveriam”, disse à Agência Brasil o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg. A população cresceu e passou a se reproduzir livremente nas estepes. Além dos mais de 300 animais no parque, há duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas, elevando o total do país a cerca de 800 animais.
Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia e é gerido por uma organização não governamental, sem subsídios regulares do Estado. Cerca de 90% da receita vem do turismo. A conservação do takhi está ligada à proteção das estepes, pressionadas pela mudança climática e pelo aumento de animais domésticos — a Mongólia tem cerca de 58 milhões de cabeças de rebanho, segundo o Censo 2025. No entorno do parque, a estratégia é criar alternativas econômicas para famílias nômades, como turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato. “Se a natureza estiver bem protegida, o parque também estará mais protegido”, concluiu Tserendeleg.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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