Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio
Uma culinária criativa tem mudado a realidade de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Na Cozinha das Caranguejeiras, elas transformam a ubarana — peixe antes desprezado comercialmente por causa das muitas espinhas — em pratos como estrogonofe, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles.
O trabalho, baseado em saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor ao pescado e gera renda para 15 mulheres, que atuam em rodízio e recebem percentual sobre as vendas. Os pratos são comercializados em almoços com venda de convites para a comunidade, turistas, pesquisadores e empresas, além de encomendas. "A gente vai fomentando as mulheres caranguejeiras", conta Márcia Regina, pescadora por 40 anos e hoje auxiliar geral na cozinha e secretária da associação. Segundo ela, a atividade também funciona como ação social: "As mulheres, às vezes com depressão, vão para a cozinha e acabam ficando boas. Uma ajudando a outra".
A ubarana vive em ambientes costeiros e estuarinos, como manguezais, por toda a Baía de Guanabara. Por ter muitas espinhas finas, seu preparo em filés é difícil, o que reduz seu valor comercial. A bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas, da ONG Guardiões do Mar, que apoia a iniciativa, destaca que as mulheres desenvolveram uma forma própria de preparo que permite aproveitar a carne sem que as espinhas sejam percebidas. A ACAMM também realiza ações de preservação do manguezal e, desde janeiro, pescadores e catadores retiraram 12.622 quilos de resíduos do Rio Suruí com a Operação LimpaOca.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar