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Senadores governistas recuam e apoiam impeachment de Alexandre de Moraes

Atualizado em 14/09/2026 às 11:50 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A base de apoio ao governo no Senado Federal passou a registrar fissuras em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Parlamentares que antes defendiam o magistrado agora optam pelo silêncio ou passaram a assinar pedidos de afastamento. O movimento ganhou força após a revelação de mensagens envolvendo o ministro e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, além da proximidade das eleições.

O cenário político mudou após o levantamento do sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. As conversas revelaram detalhes sobre um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro, além da menção a benefícios de luxo e a pedidos feitos pelo banqueiro pouco antes de sua prisão, em 2025. Segundo o material, esses elementos fizeram com que a crise deixasse de ser tratada apenas como uma disputa sobre liberdade de expressão e passasse a ser encarada sob a ótica da ética e da suspeita de corrupção.

O comportamento dos senadores varia entre o silêncio estratégico e o apoio explícito ao impeachment. Pelo menos cinco parlamentares que defendiam Moraes em 2024 agora preferem não se manifestar. Na base governista, nomes como Chico Rodrigues, Leila Barros e Flávio Arns mudaram de lado e passaram a apoiar a abertura do processo de afastamento. Rodrigues afirmou que a gravidade das denúncias publicadas pela imprensa exigiu uma "coragem cívica" para assinar o pedido, e reforçou que ninguém, independentemente do cargo, deve estar acima da lei brasileira.

Cientistas políticos ouvidos na apuração explicam que a natureza do problema mudou de patamar. No início, as críticas a Moraes focavam em decisões judiciais polêmicas e na suspensão de redes sociais, temas tolerados por muitos parlamentares em nome da defesa da democracia. Com a entrada de suspeitas éticas e financeiras, porém, o custo político de defender o ministro aumentou. O Congresso é sensível à opinião pública e, com o prestígio do magistrado em declínio, manter uma defesa pública passou a ser considerado arriscado para quem busca a reeleição.

A proximidade das eleições de outubro de 2026 funciona como catalisador dessa migração de posicionamento. Os senadores precisam calcular o impacto eleitoral de suas alianças e declarações e, quando um assunto se torna impopular, a tendência é que se afastem do tema ou mudem de opinião para refletir o desejo de suas bases. O recuo dos antigos defensores de Moraes é descrito como uma posição estratégica para evitar desgaste político e retirar um assunto espinhoso do discurso eleitoral.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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