Renan Santos ironiza Augusto Cury após escritor declarar apoio a Flávio Bolsonaro, a quem criticou duramente durante a campanha
O escritor Augusto Cury (Avante) anunciou nesta quinta-feira (8) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, decisão que provocou reação do ex-candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão. A aproximação ocorreu quatro dias após o primeiro turno, no qual Cury se apresentou como alternativa à polarização entre Lula e o candidato do PL.
Durante a campanha, o escritor criticou duramente Flávio Bolsonaro. Questionou o fato de o senador ocupar cargos eletivos desde os 21 anos e sua experiência profissional fora da política. Também fez declarações sobre as relações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O texto ressalva que tais manifestações devem ser compreendidas como questionamentos políticos, não como comprovação de irregularidades, e que eventuais suspeitas dependem de investigações e procedimentos judiciais, com respeito à presunção de inocência.
Renan Santos reagiu à mudança de posicionamento e chamou Cury de “comédia”, em referência à diferença entre as críticas anteriores e o apoio anunciado. A reação se soma a outras críticas que o dirigente do Missão já vinha fazendo ao escritor desde agosto, quando questionou a consistência política da candidatura de Cury. Renan também tem criticado alianças da direita brasileira que, em sua avaliação, deixam de lado divergências apresentadas durante as campanhas.
Segundo reportagens publicadas nesta quinta-feira, o apoio foi formalizado após conversa por vídeo entre Cury e Flávio Bolsonaro. O escritor apresentou uma carta com propostas, entre elas valorização dos professores, ampliação da telemedicina, proteção às mulheres, incentivo ao empreendedorismo e medidas de sustentabilidade. Flávio aceitou os compromissos e agradeceu o apoio. Cury afirmou que não negociou cargos ou benefícios pessoais e que continuará livre para discordar do candidato em questões específicas.
Cury terminou o primeiro turno com aproximadamente 3,45 milhões de votos, tornando-se um dos derrotados com maior votação. A declaração tem relevância para a disputa, mas não vincula seus eleitores, já que o voto é individual e secreto. O episódio evidencia diferenças entre grupos que disputaram o eleitorado conservador e expõe a contradição de candidatos que se apresentam como alternativas e, após as urnas, decidem apoiar justamente aqueles que haviam criticado.
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