Programa Move Brasil atinge apenas uma pequena fração do financiamento previsto
Programa Move Brasil libera apenas 13% do crédito previsto para motoristas
Lançado pelo governo federal em maio para facilitar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, o programa Move Brasil enfrenta dificuldades de adesão. Com orçamento autorizado de R$ 30 bilhões, a iniciativa liberou apenas R$ 4 bilhões em crédito até o início de setembro de 2026. O baixo desempenho é atribuído a critérios rígidos de crédito e a falhas operacionais.
O programa é gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento e operado por meio do BNDES ou bancos habilitados. Ele permite financiar até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses para o início do pagamento. As taxas de juros são limitadas a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, menos da metade do que o mercado costuma cobrar. Apesar das condições favoráveis, o governo admite que o programa esbarra em reprovações na análise de crédito e no baixo interesse das instituições financeiras privadas em assumir riscos.
O principal entrave é a exigência de nome limpo. Segundo a Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo, cerca de 92% da categoria possui restrições no CPF, o que impede a aprovação na análise de crédito dos bancos. Para muitos profissionais, o programa beneficia apenas quem já tinha condições financeiras, enquanto aqueles com dificuldades reais continuam dependendo de locações de veículos com preços elevados. Mesmo com o aumento do limite de financiamento para R$ 200 mil, a barreira do CPF negativado impede que a maior parte da classe seja contemplada.
O Move Brasil começou a operar antes que o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) estivesse pronto. O fundo serve para reduzir o risco dos bancos em caso de calote, e o atraso de duas semanas na implementação gerou insegurança nas instituições financeiras. Além disso, o regulamento não exige que os carros financiados sejam produzidos no Brasil, o que abriu espaço para o fortalecimento de montadoras chinesas, que vendem modelos importados ou montados no país com peças vindas de fora. A medida gerou críticas de que a política pública acaba favorecendo fabricantes estrangeiros.
O desempenho do Move Brasil é comparado ao do Voa Brasil, que vendeu menos de 2% das passagens aéreas prometidas aos aposentados. Dados do Google Trends mostram que, após um pico de buscas no lançamento em junho, o interesse dos brasileiros pelo termo caiu entre 70% e 80% nos meses de julho e agosto. Representantes da categoria também reclamam da falta de diálogo direto com o governo, afirmando que autoridades priorizam conversas com sindicalistas, que não seriam vistos como os reais porta-vozes dos motoristas de aplicativo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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