Por que os restos mortais de Garcia Llorca não foram encontrados 90 anos após sua morte na Guerra Civil espanhola
Busca por García Lorca segue sem respostas 90 anos após execução na Guerra Civil
Mais de 11 mil pessoas seguem enterradas em valas comuns na Espanha sem identificação, vítimas da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) ou da repressão posterior do regime de Francisco Franco. Os dados são do governo espanhol, que contabiliza cerca de 6 mil valas em todo o território. Especialistas, no entanto, estimam que o número total de corpos possa chegar a 25 mil.
Entre essas valas, uma das buscas mais emblemáticas é a do poeta e dramaturgo Federico García Lorca, autor de obras como Bodas de Sangue e A Casa de Bernarda Alba. O assassinato completou 90 anos em 18 de agosto. Acredita-se que ele tenha sido fuzilado em uma área entre os povoados de Víznar e Alfacar, na província de Granada, no sul do país, possivelmente durante a madrugada, semanas após o início do conflito.
Lorca foi morto junto com dois anarquistas, Francisco Galadí e Joaquín Arcollas, e um professor republicano, Dióscoro Galindo. O poeta, que vinha de família burguesa e circulava entre artistas vanguardistas como Luis Buñuel e Salvador Dalí, nunca se filiou a partidos, mas levava teatro à Espanha rural pelo projeto La Barraca. Sua homossexualidade também o tornava alvo de ataques de publicações tradicionalistas. Para o historiador Julián Casanova, da Universidade de Zaragoza, "Lorca tinha todos os motivos para ser morto".
Antes da execução, o poeta se refugiou na casa do amigo Luis Rosales, cuja família era ligada à Falange, movimento fascista que se tornaria partido único no franquismo. Após uma semana, o militante de extrema direita Ramón Ruiz Alonso obrigou Rosales a revelar o paradeiro e prendeu Lorca. O regime de Franco proibiu qualquer menção ao assassinato, e a obra do autor foi censurada por décadas, sendo mantida viva por intelectuais exilados, especialmente no México e na Argentina.
Com a redemocratização, Lorca virou símbolo de liberdade, mas a localização exata de seus restos mortais segue desconhecida. A busca é dificultada pela escassez de registros oficiais e pela multiplicidade de versões sobre o crime, que se acumularam ao longo dos anos. A dívida da Espanha com o poeta permanece em aberto.
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