Jejum intermitente: o que os influenciadores não te contam
O jejum intermitente, dieta que alterna períodos de alimentação restrita com janelas de consumo normal, tornou-se uma das práticas mais populares para perda de peso e supostos benefícios à saúde. Mas, segundo pesquisadores ouvidos pela BBC, as evidências científicas em seres humanos são bem menos robustas do que sugerem influenciadores e depoimentos nas redes sociais.
Estudos com camundongos, moscas e vermes mostraram resultados expressivos: os animais que jejuavam permaneciam magros e saudáveis até a velhice. Em humanos, porém, a prática provoca uma perda de peso de cerca de 5%, índice considerado "tão eficaz quanto qualquer outra estratégia de dieta", segundo Krista Varady, professora de nutrição da Universidade do Illinois, nos Estados Unidos. Os benefícios metabólicos, como redução do colesterol e da pressão arterial, também aparecem, mas de forma menos acentuada do que nos animais.
O principal obstáculo para medir os efeitos reais é a dificuldade de saber o que as pessoas realmente comem. "Não temos ideia do que as pessoas estão comendo", afirma Varady. Em laboratório, os animais consomem exatamente o que recebem, o que facilita estabelecer relações diretas entre dieta e efeitos biológicos. Com humanos, os pesquisadores dependem de diários alimentares e da adesão dos participantes, o que torna os dados menos confiáveis.
Há ainda diferenças biológicas fundamentais. A taxa metabólica de um camundongo é muito mais alta que a de um ser humano, o que pode levar a interpretações equivocadas. "Um jejum de 16 horas em um roedor equivale a um jejum de vários dias em um ser humano", explica Courtney Peterson, professora associada de nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard. Além disso, os camundongos usados em estudos são cópias genéticas uns dos outros, o que não reflete a variabilidade humana.
Formas mais intensas de jejum, como se alimentar em dias alternados, podem até piorar a saúde metabólica ao provocar perda de massa corporal magra. Pesquisas sobre câncer e cognição também apresentam resultados contraditórios. Um estudo que havia funcionado em camundongos não obteve o mesmo resultado em seres humanos, embora a dieta 5:2 (cinco dias de alimentação normal e dois de consumo restrito) tenha mostrado benefícios para mulheres com câncer de mama metastático durante a quimioterapia. "Não é mágica", resume Varady.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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