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Por que governo Lula vê 'cavalo de Troia' em ação coordenada dos EUA e mais 14 países contra facções como PCC e CV

Atualizado em 24/09/2026 às 12:05 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ouvido em caráter reservado pela BBC News Brasil, avalia que os Estados Unidos estão usando o combate ao crime organizado no continente como uma espécie de "cavalo de Troia" para ampliar sua influência na região. Na metáfora usada por esse auxiliar, o combate ao narcotráfico seria o cavalo de madeira grego, e os "soldados" escondidos dentro dele seriam os interesses norte-americanos que os países da região estariam colocando "para dentro de casa" ao aderir à política dos EUA para o continente.

A avaliação toma como base o comunicado conjunto divulgado na terça-feira (22/9) por 15 países liderados pelos Estados Unidos, grupo intitulado Escudo das Américas, que se compromete a adotar sanções contra 24 facções criminosas — entre elas duas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Apesar de o foco ser medidas conjuntas contra grupos criminosos, o texto também menciona infraestrutura digital, cooperação econômica e acesso a minerais críticos.

Segundo o auxiliar, a adesão dos países à postura norte-americana é perigosa e cria o terreno para que qualquer tema de interesse dos EUA na região passe a ser tratado sob a lógica de segurança nacional, o que, em última instância, poderia justificar ações militares. No mesmo dia do anúncio, o presidente Donald Trump afirmou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que os EUA estariam dispostos a usar seu poderio militar para assegurar seus interesses na América Latina.

O comunicado do Escudo das Américas foi divulgado horas depois do pronunciamento de Trump na ONU. O grupo se compromete a adotar medidas como congelamento de ativos de organizações criminosas e de suas lideranças, controle migratório contra pessoas supostamente vinculadas a essas facções e processamento de quem oferece suporte financeiro ou logístico a elas. O texto também anuncia consulta à Organização dos Estados Americanos (OEA) para avaliar a possível reativação do Tratado Interamericano de Assistência Mútua (Tiar), o Tratado do Rio, criado em 1948 durante a Guerra Fria.

Para o auxiliar de Lula, a menção à salvaguarda das cadeias de suprimento de minerais críticos, em um documento que inicialmente trataria de sanções a grupos criminosos, chama a atenção por ocorrer em um momento em que os EUA buscam reduzir a dependência da China no acesso a esses recursos. Diplomatas brasileiros ouvidos pela BBC News Brasil disseram que souberam do documento apenas após sua divulgação e não foram consultados ou informados por países parceiros. Segundo o auxiliar presidencial, o governo ainda analisa as implicações práticas do comunicado e da possível consulta à OEA, e uma das opções seria votar contra as propostas do grupo, decisão ainda não tomada.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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