Parlamentares de esquerda movem série de ações no STF contra lideranças da direita
Deputados do PT e do PSOL iniciaram uma ofensiva jurídica no Supremo Tribunal Federal logo após o segundo turno das eleições. O grupo apresentou uma série de pedidos contra o senador Flávio Bolsonaro e outros aliados da direita, incluindo bloqueio de bens e prisão preventiva. As ações ganharam força após o senador viajar para os Estados Unidos alegando ser alvo de perseguição política no Brasil.
Entre as medidas solicitadas por parlamentares dos dois partidos estão desde a apreensão de passaportes até requerimentos mais severos, como a prisão preventiva e o bloqueio de bens e contas bancárias. Um dos pedidos mais expressivos solicita o congelamento de valores do senador em até R$ 6 bilhões. Também foi apresentado requerimento para incluir o nome de Flávio na Difusão Vermelha da Interpol, alerta internacional para localizar pessoas com mandados de prisão pendentes. A Polícia Federal, no entanto, esclareceu que ele ainda não é considerado foragido da Justiça.
A ofensiva se estendeu a outras figuras de destaque da direita. O deputado federal Nikolas Ferreira enfrentou um pedido de apreensão de passaporte apresentado pelo deputado eleito Pedro Rousseff, sob o argumento de que ele poderia sair do país para evitar processos. O deputado eleito Lucas Pavanato foi alvo de uma denúncia à Procuradoria-Geral da República. Segundo analistas, essas ações contra parlamentares recordistas de votos buscam limitar a capacidade de articulação da oposição e reduzir a relevância política dessas lideranças no Congresso Nacional após o período eleitoral.
Especialistas avaliam a movimentação sob perspectivas distintas. O cientista político Adriano Cerqueira classifica a reação como autoritária, sugerindo que parlamentares se aproveitam do ativismo judicial para pressionar a oposição. Já juristas como Georges Humbert questionam se deputados têm legitimidade para pedir medidas cautelares diretamente ao STF em processos nos quais não são partes, apontando que o caminho correto seria a PGR.
Os autores das ações alegam risco de fuga e descumprimento de ordens judiciais, como a entrega de passaportes determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O processo corre sob sigilo, o que impede o acesso público aos fundamentos das decisões. No caso da prisão preventiva, a lei exige provas de perigo real gerado pela liberdade do investigado e fatos recentes. Como Flávio é senador, a Constituição impõe regras rígidas: ele só pode ser preso em flagrante de crime que não admite fiança, e a decisão deve ser comunicada e avaliada pelo Senado Federal em até 24 horas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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