Papa: não se pode aceitar tirar a vida; nem tudo o que a lei permite é moral
O Papa Leão XIV visitou neste domingo, 27 de setembro, o Accueil Notre-Dame, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, onde encontrou doentes, acompanhantes e profissionais de saúde. A estrutura, inaugurada em 1997, acolhe e presta assistência a peregrinos enfermos ou com deficiência.
Antes das palavras do Pontífice, o bispo de Tarbes e Lourdes, dom Jean-Marc Micas, recordou que, em Lourdes, a doença "não é escondida" nem vista como humilhação ou perda de dignidade. O responsável pelo Accueil Notre-Dame, Mathias Terrier, destacou que cerca de 750 mil pessoas enfermas ou com deficiência passaram pelo local desde sua inauguração, entre elas São João Paulo II, em 2004.
Leão XIV recordou que, há mais de 150 anos, peregrinos de todo o mundo chegam a Lourdes para confiar a Jesus, por intermédio de Maria, seus sofrimentos físicos, psicológicos e espirituais. "Aqui, a fragilidade não é escondida, mas torna-se lugar de encontro sagrado", afirmou. Partindo da saudação do anjo Gabriel a Maria — "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo", tema pastoral do Santuário neste ano —, o Papa refletiu sobre o olhar de Deus dirigido a cada ser humano e disse que o olhar maternal de Maria recorda que "ninguém é invisível aos olhos de Deus".
O Pontífice ressaltou que cada pessoa é chamada e destinada ao amor de Deus, fonte da vida, certeza que permanece também diante da enfermidade, da fragilidade e do sofrimento. "A pessoa humana é 'digna' simplesmente porque existe e tem como fim a eternidade. A sua dignidade não se mede nem se discute", declarou. Leão XIV reconheceu que, diante de determinadas doenças e de dores por vezes terríveis, o horizonte pode parecer "sombrio, incerto, sem saída", mas afirmou que nenhuma lei humana deve fazer com que uma pessoa perca a certeza da própria dignidade. "Não é possível aceitar como algo normal tirar a vida. O que é legal não é necessariamente moral", advertiu.
Naquela que definiu como "cidade dos doentes e da esperança", o Papa dirigiu um apelo particular aos profissionais de saúde para que jamais percam de vista o significado profundo de sua vocação: "Cuidar de uma pessoa que sofre, não eliminá-la. Queridos amigos, sede servidores apaixonados da vida!" Leão XIV reiterou que "a medicina nunca poderá tornar-se serva da morte programada" e incentivou o desenvolvimento dos cuidados paliativos e da pesquisa, juntamente com o acompanhamento terno dos enfermos. A médicos, enfermeiros, socorristas, capelães, agentes da Pastoral da Saúde e voluntários, expressou gratidão pelo serviço à dignidade humana: "Ao cuidardes dos corpos, cuidais também das almas."
Ao concluir, o Santo Padre dirigiu-se novamente aos enfermos, assegurando sua proximidade e oração também àqueles que, de suas casas ou quartos de hospital, estavam unidos espiritualmente ao encontro: "Não sois um fardo, sois o coração pulsante da nossa humanidade e um tesouro precioso para a Igreja." Leão XIV confiou todos os doentes ao amor maternal da Mãe do Senhor, pedindo que Maria lhes conceda "a consolação do seu Filho Jesus".
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar