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Pai conta como descobriu que filha se automutilava em desafios no Discord: 'Ela podia ter morrido pela minha ignorância'

Atualizado em 19/08/2026 às 20:50 schedule 2 min de leitura visibility 11 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um pai brasileiro que salvou a filha de um ciclo de automutilações induzidas por usuários do Discord celebra a decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de suspender as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que as empresas "precisam sentir as consequências" e relembrou o momento em que descobriu o que a filha, então com 12 anos, fazia escondido.

Paulo Zsa Zsa, pseudônimo adotado pelo pai solo, contou sua história no livro "Aconteceu com minha filha" (Geração Editorial, 2025). O primeiro sinal de alerta veio durante um passeio de barco, quando uma amiga notou cortes no corpo da menina, escondidos sob uma blusa de proteção UV. Ao questionar a filha, ele pediu que ela mostrasse as marcas. "A virilha estava toda mutilada", recorda. A menina, que não soube explicar o motivo, foi levada ao hospital após um episódio em que tomou remédios e disse que queria se matar.

O pai conta que só descobriu a ligação com a internet depois que a filha, ao ser levada ao hospital, pediu para levar o celular. Ele negou e entregou o aparelho a uma funcionária da família, que encontrou vídeos e capturas de tela. "Comecei a ver vídeos dela se mutilando e, ao mesmo tempo que fazia uma cara triste, ela dava um joinha para o vídeo", diz. As imagens mostravam a menina cumprindo ordens de outros adolescentes em grupos fechados do Discord, as chamadas "panelas", onde centenas de pessoas acompanhavam as transmissões ao vivo.

Foi nesse material que Paulo encontrou o termo LULZ, gíria da internet usada para descrever a diversão às custas do sofrimento alheio. "Eram crianças e adolescentes que participavam de grupos com transmissão ao vivo, grupos fechados, sem nenhum monitoramento", afirma. Ele conta que a filha relatou ter sido obrigada a se queimar com fósforos, jogar perfume nas feridas e beber água da privada. "Ela podia ter morrido pela minha ignorância", desabafa.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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