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Os vídeos feitos com IA que erotizam a escravidão no Brasil para lucrar com anúncios

Atualizado em 25/08/2026 às 13:20 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Os vídeos feitos com IA que erotizam a escravidão no Brasil para lucrar com anúncios

Uma investigação da BBC News Brasil identificou ao menos 150 canais no YouTube que publicam vídeos com histórias fictícias de romance, desejo e violência sexual ambientadas no período da escravidão no Brasil. As produções, que usam imagens ultrarrealistas geradas por inteligência artificial (IA), acumulam cerca de 80 milhões de visualizações e mais de 1 milhão de inscritos somados, segundo levantamento feito por meio de buscas por palavras-chave, transcrições e títulos.

Os vídeos, publicados em português, inglês, espanhol, francês e outros idiomas, trazem títulos como “O escravo gigante de olhos azuis que fez a sinhá enlouquecer” e “A escrava que engravidou do coronel e virou sinhá”. As capas, geradas por IA, frequentemente mostram homens negros musculosos ao lado de mulheres brancas. Especialistas que analisaram parte do material a pedido da reportagem afirmam que os conteúdos romantizam a violência da escravidão, reforçam estereótipos racistas e apresentam histórias inventadas como se fossem fatos documentados.

A produção está ligada a um mercado de canais que usam IA para criar conteúdo de forma rápida e barata em busca de monetização por publicidade. Um administrador de um dos canais analisados resumiu a estratégia: “O conteúdo é usado apenas para monetizar. Depois que monetiza, é trocado o nicho”. O formato começou a surgir com mais frequência há cerca de dois anos em canais criados nos EUA e passou a ser replicado por brasileiros a partir de 2025. O Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados nas Américas — cerca de 4 milhões de pessoas foram trazidas da África entre o século 16 e meados do século 19, segundo o IBGE.

O pesquisador Gustavo Souza, da organização Desvelar, avaliou parte do material e afirmou que os vídeos retomam representações de pessoas negras que perderam espaço na TV aberta. “Essas histórias repercutem com o que já existe de crença. É meio que eu querer escutar a mesma música novamente”, disse. “Para mim, tem um lugar de racismo aqui de reforçar essa imagem de qual é o lugar eternamente de pessoas negras no Brasil, o lugar do escravo, do escravizado. Esse tipo de conteúdo me ofende em uma dimensão coletiva.”

O YouTube afirmou à BBC News Brasil que, após análise, tomou medidas contra canais e vídeos por violarem suas diretrizes, sem especificar quais conteúdos foram removidos. A reportagem refez a análise após o posicionamento da empresa e constatou que cerca de 10% dos canais identificados saíram do ar. A plataforma disse que exige que criadores informem quando usam mídia alterada ou sintética e que está em constante evolução de seus sistemas para identificar e remover conteúdos que tentem explorar a plataforma para obter lucro por meio da promoção de violência ou da sexualização de grupos protegidos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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