Operações ampliam pressão contra crime organizado na política e podem impactar corrida eleitoral
Operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro ampliam a pressão sobre a relação entre crime organizado, interesses econômicos e agentes públicos, e acendem alerta para a disputa eleitoral de 2026. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que o fenômeno pode se repetir em outras regiões do país, elevando o desafio das instituições diante do avanço de facções.
Na sexta-feira (14), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). Foi a terceira vez em poucos meses que o político se tornou alvo de operações distintas. A primeira foi a Compliance Zero, que investiga o caso Master, e agora, por duas vezes, a Sem Refino, que apura a comercialização de combustíveis e suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e decorre das determinações da ADPF das Favelas. Em 2025, o STF ampliou o alcance da ação e determinou que a PF investigasse organizações criminosas no Rio e possíveis conexões com agentes públicos. Por isso, operações como Unha e Carne e Sem Refino, quando apuram essas conexões, passam a integrar esse contexto, com algumas medidas submetidas diretamente ao STF.
A defesa de Castro afirmou que o imóvel de Petrópolis alvo da ação era alugado e que o contrato foi encerrado meses atrás, após o ex-governador deixar o cargo. Disse também desconhecer que Castro fosse alvo da operação e que não houve busca na residência atualmente ocupada por ele. Castro já havia desistido de concorrer a uma vaga na chapa da direita ao Senado após ser investigado na Compliance Zero.
Entre as operações que mais chamam a atenção está a Unha e Carne, que apura a infiltração do crime organizado em estruturas de poder e levou à prisão o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), que pretendia se candidatar ao governo do estado. A defesa nega envolvimento com os fatos. O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), cotado para concorrer ao Senado, também virou alvo e teve a candidatura descartada. Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de vazar informações sigilosas sobre operações policiais, lavagem de dinheiro e fraudes com recursos públicos. Analistas alertam que novas fases podem alcançar agentes políticos de outros estados.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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