O que uma garrafa de R$ 16 mil diz sobre a nova era da cachaça brasileira
Uma garrafa de cachaça avaliada em R$ 16 mil foi o destaque da Expocachaça, principal feira do setor, realizada no início de agosto em Belo Horizonte (MG). O produto, batizado de Diamant 21, é produzido pela Weber Haus, de Ivoti (RS), e representa a aposta do mercado brasileiro no segmento premium de bebidas.
A edição limitada tem mil unidades, com 21 anos de envelhecimento e um diamante de 3,6 gramas lapidado e incrustado manualmente no vidro. Sem a pedra, o valor cai para R$ 10 mil, mas o produto segue entre as cachaças mais caras do país. A primeira garrafa da série foi leiloada em novembro de 2021 por R$ 67 mil. Ainda assim, não é a mais cara do mercado: a VB Platinum, da Velho Barreiro, lançada em 2023, custa cerca de R$ 1 milhão e tem a garrafa revestida de ouro rosé e diamantes.
O processo de produção da Diamant 21 começou no início dos anos 2000 por Hugo Weber e seu filho Evandro, atual CEO da marca. Com 40% de graduação alcoólica, o destilado passou por processo duplo de envelhecimento: seis anos em barris de carvalho e mais 15 em tonéis de bálsamo. O alvo são colecionadores e apreciadores de bebidas sofisticadas. "Pode ser encarada também como um souvenir de alta classe, presenteada em fechamentos de grandes negócios", diz Marcelo Felison, gerente comercial da Weber Haus.
O lançamento ocorre em um momento de contradição no setor. Em 2025, o Brasil tinha 1.538 estabelecimentos produtores registrados no Ministério da Agricultura (Mapa), 272 a mais do que no ano anterior — alta de 21,5%, a maior da série histórica iniciada em 2018. Paralelamente, o volume de produção encolheu 15% em relação a 2024. Segundo especialistas, o movimento está relacionado à migração para produtos de maior valor agregado.
O fenômeno não é exclusivo do Brasil: o consumo global de bebidas alcoólicas caiu 3% em 2025 nos 15 principais mercados, segundo a consultoria IWSR. No Brasil, a queda foi de 4%. Enquanto isso, o segmento de luxo deve avançar de US$ 814 bilhões em 2026 para quase US$ 1 trilhão em 2031, segundo a Mordor Intelligence. Destilados respondem por 52% desse mercado. Dados da NIQ indicam que dois terços dos consumidores globais preferem uma ou duas bebidas de qualidade a quatro ou cinco baratas, e quase um terço dos compradores de luxo valorizam bebidas "bonitas o suficiente para postar online" — o que ajuda a explicar o diamante incrustado no vidro da Diamant 21.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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