O que Flávio Bolsonaro ainda precisa esclarecer sobre 'Dark Horse' — e por que o filme não sai antes das eleições
A delação do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, e a pressão da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo fim do sigilo do depoimento recolocaram o filme Dark Horse no centro da disputa eleitoral, a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A obra conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, interpretado pelo ator americano Jim Caviezel, e tem lançamento previsto apenas para depois das eleições.
Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro US$ 24 milhões, equivalentes a R$ 134 milhões, para financiar a produção. Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro. Flávio afirmou ao Jornal Nacional, em agosto, que o caso é uma "página virada", tratou-se de uma transação privada e que a produtora já prestou contas sobre o uso dos recursos. Para adversários e para a Polícia Federal, porém, seguem pendentes esclarecimentos sobre a relação entre o senador e o banqueiro.
O caso voltou ao noticiário após Mineiro fechar acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master no Supremo Tribunal Federal. Dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro, ele afirmou, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ter feito sete pagamentos ao fundo Havengate, com sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época, e os últimos teriam ocorrido em setembro e outubro, às vésperas da prisão de Vorcaro.
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos está o destino do dinheiro de Vorcaro. A PF investiga se os recursos teriam sido usados para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde está desde fevereiro de 2025 e é considerado foragido após condenação pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo. Eduardo admitiu ter assinado contrato como produtor do filme e investido R$ 350 mil, mas disse ter recebido o valor de volta após a obra obter outros patrocinadores.
Também não se sabe quanto Vorcaro efetivamente pagou à produção. O The Intercept informou que o banqueiro havia repassado US$ 10,6 milhões; a revista Piauí apontou ao menos mais dois repasses, em setembro e outubro de 2025, elevando o total a US$ 12,3 milhões — o que contraria a versão de Flávio à GloboNews de que o último pagamento ocorrera em maio. A assessoria do senador disse que os responsáveis pelo filme são a produtora GoUp Entertainment, que confirmou à Folha de S.Paulo o repasse de uma parcela em setembro e negou outra em outubro. Os detalhes completos da delação e os valores exatos não constam no material disponível.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar