O que é o kratom, a 'heroína dos postos de gasolina' que provoca alarme nas autoridades americanas
O kratom é uma árvore originária do Sudeste Asiático, encontrada em países como Tailândia, Malásia e Indonésia. Suas folhas são utilizadas há séculos por suas propriedades estimulantes, sendo moídas e consumidas como chá. A erva tem efeitos semelhantes aos dos opioides e, nos Estados Unidos, ganhou popularidade na última década, geralmente comprada sem receita médica e consumida em forma de comprimido ou líquido.
O produto entrou no mercado americano como suplemento por volta de 2016. Segundo Shane Speights, reitor da Faculdade de Medicina Osteopática do Instituto de Tecnologia de Nova York na Universidade Estadual do Arkansas, "foi aí que os problemas realmente começaram". Nos EUA, o kratom é vendido principalmente em formas altamente concentradas — comprimidos, pó ou líquido — e é fácil de encontrar em lojas de conveniência, postos de gasolina e lojas de cigarros eletrônicos. Por ser classificado como suplemento, não é regulamentado pelo governo americano. "Não há como saber exatamente o que você está comprando", afirmou Speights.
O kratom é frequentemente comercializado como um suplemento herbal seguro e natural para o controle da dor, ansiedade e depressão. Em doses mais baixas, suas propriedades estimulantes criam uma sensação de euforia semelhante à da cafeína. Em doses altas, apresenta efeitos do tipo opioide, incluindo analgesia e retardo do esvaziamento gástrico. Essas propriedades decorrem da forma como os compostos da planta — como a 7-hidroximitraginina — ativam hormônios, incluindo a dopamina. Devido aos efeitos semelhantes aos dos opioides, também tem sido usado para combater o vício em opioides como o fentanil.
Doses mais elevadas representam maior risco de efeitos colaterais adversos, incluindo depressão do sistema nervoso central, que pode resultar em colapso cardiovascular e parada respiratória. Sintomas de abstinência e dependência também são riscos, segundo Jana Wu, diretora de integração clínica do centro de tratamento de dependência Mountainside. "Já vi pessoas perderem empregos, gastarem milhares de dólares por mês com isso", disse ela. Como é fácil desenvolver alta tolerância à erva, os usuários podem precisar aumentar a quantidade consumida para obter o mesmo efeito ao longo do tempo.
Nos Estados Unidos, o kratom é proibido em 11 estados: Alabama, Arkansas, Connecticut, Indiana, Kansas, Louisiana, Massachusetts, Dakota do Norte, Tennessee, Vermont e Wisconsin. Massachusetts foi o último a tornar a substância ilegal, emitindo uma ordem emergencial temporária em agosto. Dez anos antes, a Agência de Combate às Drogas dos EUA (DEA) havia classificado o kratom como substância controlada de Classe 1, mas a iniciativa fracassou após o Departamento de Justiça afirmar ter recebido "numerosos comentários de membros do público contestando" a tentativa. Internacionalmente, o kratom é proibido no Reino Unido; na Europa, as leis variam por país; e na Malásia, país de origem da árvore, consumo e venda são proibidos pela Lei de Venenos de 1952. No Brasil, a substância não é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e uma nota técnica de 2023 recomendou incluí-la na lista de plantas proibidas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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