O número que pode definir a eleição presidencial em primeiro turno — e os fatores que apontam contra isso
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a defender publicamente que a eleição presidencial pode ser decidida já no primeiro turno. Lula afirmou em entrevista ao podcast Flow que acredita em vitória no domingo, e, em entrevista à TV Band, disse ter a impressão de que não haverá segundo turno. Flávio, por sua vez, tem falado em "contagem regressiva" e afirmou em sabatina à Globo que vai ganhar no primeiro turno, pedindo voto útil aos eleitores de outros candidatos.
Para vencer em primeiro turno, é preciso mais de 50% dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Desde a redemocratização, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conseguiu o feito, em 1994 e 1998. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Lula com 45% das intenções em votos válidos, ante 40% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, em votos totais, o instituto aponta empate técnico: 48% para Lula e 45% para Flávio. No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, feito com a consultoria Polling Data, Lula aparece com 42% e Flávio com 39%; Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 3% cada, Romeu Zema (Novo) pontua 1% e os indecisos somam 8%.
Cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil divergem sobre a chance de definição no domingo. A maioria ainda considera o segundo turno o cenário mais provável, mas admite que a hipótese deixou de ser apenas teórica. O professor Hilton Fernandes, da Fespsp, aponta a desidratação de candidatos menores como um dos fatores possíveis, enquanto a analista Cila Schulman, do Ideia Instituto de Pesquisa, avalia que a chance de definição em primeiro turno é a maior desde 1998 e vê o voto útil como principal motor desse cenário.
Schulman afirma que, se houver definição no primeiro turno, o provável favorecido seria Flávio, por meio do que chama de "antipetismo de chegada" — a migração de eleitores indecisos ou de terceira via para o candidato considerado mais forte contra Lula. Já a cientista política Luciana Santana, da Ufal, vê a possibilidade aberta para os dois lados, mas ressalva que nenhuma pesquisa oferece evidência suficiente para afirmar isso.
Outros dois fatores são citados pelos especialistas: a rejeição elevada aos dois principais candidatos, que, segundo o Datafolha, estão empatados com 45% cada, e a abstenção. Em 2022, 33 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno, o equivalente a 20,95% do eleitorado. Schulman calcula que a probabilidade de decisão em primeiro turno será alta se o não-voto — soma de brancos, nulos e abstenções — atingir uma faixa entre 31% e 32%. Quanto menor o total de votos válidos, menor a quantidade necessária para um candidato vencer.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar