O Custódio da Terra Santa: “somente quem vive a guerra não se acostuma com ela”
Padre Francesco Ielpo: “somente quem vive a guerra não se acostuma com ela”
O padre Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa, descreveu como “dramática” a situação nas regiões de Gaza e da Cisjordânia, marcada por grande sofrimento e cansaço da população após meses de conflito. Em entrevista à mídia vaticana durante o Meeting de Rimini, ele afirmou que as pessoas estão sem perspectivas de futuro, enfrentam grave crise econômica e falta de emprego, o que leva muitas famílias a considerar deixar a terra onde vivem.
“Todos os caminhos trilhados pelas armas nunca levam a uma paz verdadeira, assim como nunca levam a uma segurança verdadeira”, disse Ielpo. Para ele, o direito à segurança é sagrado, mas os meios para alcançá-lo passam pela política, pela diplomacia e, sobretudo, pelo diálogo — um caminho mais desafiador e demorado, porém o único capaz de conduzir a uma paz justa e desarmada.
Sobre a solução dos dois Estados, defendida recentemente pelo Papa Leão XIV, o Custódio reconheceu que a proposta é objetivamente difícil de concretizar, especialmente após as últimas crises. Ainda assim, avaliou que se trata da única hipótese em discussão capaz de levar em conta o bem de ambos os povos. “É preciso partir de uma hipótese e começar a dar os primeiros passos”, afirmou, admitindo que o prazo para uma implementação real não será curto.
Ielpo também falou sobre o papel dos cristãos na região. Segundo ele, a condição dos cristãos da Cisjordânia é a mesma de toda a população palestina, marcada por injustiças e sofrimento. “Nossa tarefa é permanecer ao lado deles, não deixá-los se sentirem sozinhos e nos sentirmos parte do mesmo destino e da mesma esperança”, disse. Ele ressaltou ainda a importância de manter o coração imune ao ódio e ao rancor, e alertou para o risco de que atos de violência e decisões políticas se transformem em sentimento antissemita — o que seria “um drama dentro do drama”.
O religioso destacou que, apesar do cenário adverso, há associações e pessoas, tanto do mundo judaico quanto do islâmico, que lutam por um caminho diferente e testemunham a possibilidade de convivência. “Há uma irredutibilidade do ser humano que deseja e se arrisca a documentar outra possibilidade”, concluiu.
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