'Nunca descartaria uma interferência de Trump na eleição brasileira', diz jornalista americano
O jornalista americano Jon Lee Anderson afirmou que não descartaria uma interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição brasileira. Em entrevista à BBC News Brasil, ele avaliou que o maior dano à democracia hoje é liderado por Trump e disse que todo o continente americano vive uma situação de incerteza diante da dinâmica de um presidente que, em sua avaliação, coloca a própria personalidade e os próprios interesses à frente dos da nação.
Anderson, repórter da revista The New Yorker desde 1998 e autor de perfis de líderes latino-americanos como Hugo Chávez e Fidel Castro, afirmou que o Brasil não é o único país sob ameaça constante de Trump. Segundo ele, até o Canadá tem sido tratado como se fosse a Coreia do Norte. O jornalista disse acreditar que o estilo do presidente americano molda líderes no continente, muitos deles em busca de sua aprovação, e que políticos têm usado a relação com os EUA de forma oportunista para se beneficiar.
Sobre a Venezuela, Anderson disse não ter ouvido falar da hipótese, levantada por partidos de direita radical no Brasil, de que Nicolás Maduro faria um acordo ou delação envolvendo o presidente Lula. Ele afirmou não conseguir imaginar Maduro delatando abertamente a esquerda para salvar a própria pele e lembrou o caso do ex-ditador panamenho Manuel Noriega, que, segundo ele, não entregou ninguém mesmo após anos de prisão.
O jornalista também comentou a situação de Cuba. Para ele, não há possibilidade real de ruptura imediata na ilha, que vive a pior fase de um bloqueio explícito voltado a asfixiá-la. Anderson afirmou que Raúl Castro, aos 95 anos, segue como líder supremo na prática, enquanto Miguel Díaz-Canel é uma figura apagada, sem os plenos poderes que Fidel teve. Ele disse acreditar que a morte de Raúl, inevitável, abrirá maior possibilidade de mudança e representará o fim da era Castro.
Anderson avaliou ainda que os EUA têm hoje mais influência sobre o destino de Cuba do que nunca, mas que nada deve mudar de imediato, até depois das eleições de meio de mandato americanas. Segundo ele, negociações com um neto de Raúl perderam força tanto pela oposição dos linha-dura cubano-americanos de Miami quanto pela falta de respaldo institucional do interlocutor dentro do regime.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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