Mundo vive 'epidemia de estupidez', diz Drauzio Varella
O médico e escritor Drauzio Varella afirmou que o mundo vive uma "epidemia de estupidez" ao comentar, nesta sexta-feira (14/08), a dificuldade de combater a desinformação em pleno século 21. A declaração foi dada durante o evento BBC World Service: Trust is Earned – O Desafio da Credibilidade, promovido pela BBC News Brasil em São Paulo, em entrevista ao jornalista João Fellet.
Varella, que há cerca de 10 anos vê sua imagem e voz usadas em propagandas e notícias falsas, brincou que deve ser o maior vendedor de remédios falsos do Brasil. Ele destacou que a desinformação não é um fenômeno novo: já na epidemia de Aids, nos anos 1980, profissionais de saúde lidavam com afirmações preconceituosas, como a que chamava a doença de "peste gay". Foi nessa época que ele passou a se dedicar à comunicação em campanhas de rádio.
O médico, no entanto, disse que a pandemia de coronavírus trouxe uma "grande surpresa". "Nós imaginávamos que já tínhamos passado de certos pontos", afirmou, citando a rejeição a máscaras e vacinas. Para ele, a diferença entre ignorância e estupidez é central: "O ignorante aprende quando ele é ensinado; o estúpido não, porque o estúpido acha que ele sabe." Varella também lembrou que os movimentos antivacinas no Brasil eram restritos à classe média alta e ganharam força com a adesão de médicos formados, inclusive na USP.
No evento, Varella fez duras críticas à Meta, dona de Instagram, Facebook e WhatsApp, afirmando que a empresa "não tem interesse" em tirar conteúdo falso do ar. Ele contou que uma senhora o parou na rua para dizer que um remédio anunciado com sua imagem não estava "ajudando nada". "A Meta é uma empresa imoral. Eles são sócios desses bandidos, desses estelionatários, desses criminosos", disse, classificando a prática como crime contra a saúde pública. Em julho, ele já havia feito críticas semelhantes na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), quando a empresa respondeu em nota que não permite atividades fraudulentas e remove anúncios enganosos "assim que identificados".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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