Mundo redescobre dívida colossal dos EUA, e risco de crise começa a preocupar
Os juros da dívida de longo prazo do governo americano atingiram o maior patamar em quase 20 anos na semana passada, e os rendimentos dos títulos soberanos também sobem em outras partes do mundo. Uma intervenção do Departamento do Tesouro na quarta-feira interrompeu apenas fugazmente a alta das taxas, que já encareceu o crédito para compradores de imóveis, empresas e para o próprio governo federal.
Diferentes forças empurram os juros para cima. A inflação persistente é agravada pela guerra com o Irã, e há dúvidas sobre quanta energia o Federal Reserve empregará para contê-la. Soma-se a isso o endividamento agressivo das empresas de inteligência artificial e a expectativa de que o boom da IA produza um crescimento econômico mais acelerado adiante, além das preocupações que se acumulam há tempos com a capacidade do governo federal de administrar um endividamento crescente, que nesta semana ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.
Para além das explicações pontuais, economistas afirmam que os juros mais altos representam, de certa forma, um retorno a um período mais normal. A verdadeira anomalia, dizem eles, foram as quase duas décadas de juros ultrabaixos que se seguiram à crise financeira global de 2008. A economia americana, porém, é muito diferente da que existia na última vez em que as taxas estiveram nesse patamar. Famílias e empresas se ajustaram a um mundo de dinheiro barato, assim como o sistema financeiro global. Talvez o mais relevante seja que a dívida pública triplicou como proporção do produto no período.
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