Só correção? O que explica queda do Ibovespa nesta terça depois de salto com 1º turno
O Ibovespa abriu a terça-feira, 6, em leve alta de 0,01%, aos 206.924,61 pontos, e logo renovou a máxima do dia, a 209.522,60 pontos, alta de 1,26%. O movimento, no entanto, não se sustentou: o índice virou para o negativo, perdeu o patamar dos 205 mil pontos e tocou a mínima de 204.832,36 pontos, recuo de 1,01%. Fechou acima dessa marca, aos 205.835,29 pontos, queda de 0,52%.
A perda de fôlego foi atribuída em parte a um ajuste após a disparada da véspera, quando o Ibovespa subiu 7,70% e fechou nos inéditos 206.911,89 pontos, após máxima de 209.605,70 pontos. O rali veio com o resultado do primeiro turno das eleições, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, há expectativas de que, se eleito, o senador do PL adote uma postura menos expansionista.
Para Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, o movimento desta terça-feira mostra continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, "mas naturalmente em uma intensidade bem menor depois do movimento excepcional de ontem". Segundo ele, "depois de uma valorização tão forte em um único pregão é natural vermos realização e bastante volatilidade". O consultor afirma que, se eleito, Flávio Bolsonaro pode adotar uma política voltada à retomada do superávit primário, o que poderia derrubar os juros e ajudar a destravar o custo de capital das empresas.
Entre as ações de primeira linha, Vale (VALE3) cedeu 1,44%, enquanto Petrobras recuou entre 2,78% (PN) e 1,80% (ON). No setor bancário, subiram Itaú (ITUB4, +1,96%) e Bradesco (BBDC3, +3,25% ON; BBDC4, +4,40% PN). O maior recuo da carteira foi Banco do Brasil (BBAS3, -6,42%), após o JPMorgan rebaixar a recomendação para o papel de "neutro" para "underweight" pela manhã.
Ainda assim, mesmo com o recuo, o Ibovespa segue operando acima dos 200 mil pontos, próximo das máximas históricas. O Itaú BBA afirmou em relatório que o índice confirma a volta à tendência de alta e aponta para a região de 220.000 pontos no curto prazo e 245.000 pontos no médio prazo, mas terá que continuar acima do suporte em 181.500 pontos para manter esse movimento. No exterior, o S&P 500 e o Nasdaq atingiram máximas recordes em Nova York. Investidores agora aguardam pesquisas eleitorais do segundo turno, previstas para quinta-feira.
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