Mineração pode virar grande pilar da Argentina – mas com impacto limitado na Bolsa
Um novo cálculo do Itaú BBA estima que a Argentina poderia exportar cerca de US$ 35 bilhões em produtos de mineração até 2035. Com esse volume, o país poderia consolidar a mineração como uma terceira grande indústria exportadora nacional, ao lado da agricultura e da energia.
Para referência, em 2026 as exportações totais do país estão em torno de US$ 100 bilhões. Em paralelo, o governo local calcula que as exportações de energia poderão chegar a aproximadamente US$ 50 bilhões até 2035.
Conforme o banco, fatores domésticos e internacionais parecem convergir para possibilitar um aumento dos investimentos no setor. Entre os incentivos domésticos, o Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) é apontado como um dos principais agentes capazes de posicionar a Argentina como destino relevante para investimentos em cobre e lítio. De acordo com os analistas, o regime melhorou de forma significativa o marco de investimentos para projetos de mineração de longa duração, com mais previsibilidade e menos incertezas relacionadas às políticas públicas. Entre os principais benefícios do programa estão a alíquota reduzida de 25% de imposto corporativo e até 30 anos de estabilidade regulatória. No front internacional, o banco avalia que o crescimento sustentado da demanda por cobre e lítio nos próximos anos pode favorecer o movimento.
Apesar das expectativas elevadas, os analistas apontam que o impacto direto esperado sobre as ações argentinas pode ser relativamente modesto. Com o aumento das exportações e da geração de moeda estrangeira, o banco espera alguma contribuição para reduzir os spreads soberanos, além da possibilidade de diminuir o custo de capital próprio e sustentar valuations mais elevados nos diversos ativos argentinos.
O impacto econômico poderia se estender muito além da própria produção mineral. Segundo os analistas do BBA, projetos de grande escala, como o desenvolvimento da mineração, costumam exigir investimentos substanciais em construção, logística, estradas, geração de energia, infraestrutura de transmissão e, em alguns casos, transporte ferroviário. Somados à demanda por mão de obra e serviços, esses investimentos podem gerar oportunidades de emprego diretas e indiretas em uma ampla rede de fornecedores locais e setores da economia.
Ao longo de sua história, a mineração na Argentina desempenhou um papel relativamente limitado na economia. Entre os fatores apontados, o país divide fronteira com o Chile, hoje o maior produtor de cobre do mundo. Nessa fronteira, que se estende por mais de 5,3 mil quilômetros, o banco destaca as províncias andinas como possíveis fontes cada vez mais importantes de investimentos, atividade econômica e crescimento das exportações nos próximos anos.
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