Justiça Eleitoral se aproxima de indígenas na Raposa Serra do Sol
A terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, no extremo norte do país, próximo à fronteira com a Venezuela e a Guiana, recebeu na sexta-feira (11) a visita de uma comitiva da Justiça Eleitoral. Os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), desembargador Mozarildo Cavalcanti, participaram de atividades na comunidade indígena Maturuca.
As ações ocorreram no malocão principal, espaço comunitário tradicional usado para reuniões. Nunes Marques acompanhou iniciativas da Ouvidoria dos Povos Indígenas, criada pelo TRE-RR como canal de diálogo entre a Justiça Eleitoral e os povos indígenas. A comitiva ouviu a comunidade para identificar necessidades e aproximar os serviços eleitorais da realidade das aldeias.
Entre as atividades realizadas, houve capacitação de mulheres indígenas sobre como votar — demanda apresentada pela própria comunidade — e ações voltadas a jovens. A comitiva entregou computadores para a escola de informática da comunidade, doados pelo TRE-RR, e distribuiu uma cartilha com informações sobre direitos, serviços e etapas da votação, produzida em Macuxi.
Segundo Nunes Marques, o TSE tem uma missão “que vai muito além de organizar a votação”. “Nosso dever é garantir que cada cidadão e cada cidadã possa exercer o seu direito de escolha com liberdade, segurança e dignidade”, declarou. Para ele, isso significa reconhecer que “o Brasil é formado por muitos”. “Um país democrático não pode ser construído a partir de uma única perspectiva, de uma única cultura ou de uma única forma de ver o mundo”, complementou.
Na Raposa Serra do Sol vivem os povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona. Roraima é apontado como o estado mais indígena do Brasil: cerca de 15% da população pertence a alguma etnia, o equivalente a 97,7 mil indígenas em um estado com quase 640 mil habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE. No país, os indígenas representam 0,8% da população. Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) indica que as eleições deste ano têm o maior número de candidaturas indígenas já registradas no Brasil.
No fim da agenda, em Boa Vista, os presidentes dos tribunais eleitorais participaram de uma votação simulada na urna eletrônica, na Praça das Águas. Nunes Marques incentivou os eleitores a levarem a “colinha” no dia da eleição. O primeiro turno será em 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais e distritais, governadores, dois senadores por unidade da federação e o presidente da República. O segundo turno está marcado para 25 de outubro e pode ocorrer nas disputas para governador e presidente.
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