Mark Cuban: Empresas deveriam dar ações a funcionários ou pagar mais impostos
O empresário Mark Cuban, com patrimônio estimado em mais de US$ 10 bilhões, voltou a defender que empresas compartilhem participação acionária com seus funcionários ou enfrentem custos mais altos. Em publicação no X, o cofundador da farmácia online Cost Plus Drugs propôs aumentar impostos corporativos para companhias que não ofereçam ações a todos os empregados de forma proporcional ao que é concedido a executivos não fundadores.
“Se eles enriquecem com o mercado, os funcionários também deveriam enriquecer”, escreveu. Cuban afirmou ter aplicado a prática em empresas que fundou. Em um episódio do podcast “What It Takes”, ele contou que distribuiu ações a 330 empregados da Broadcast.com antes da venda da companhia ao Yahoo, por US$ 5,7 bilhões, em 1999. Segundo ele, cerca de 300 desses funcionários se tornaram milionários com a operação. Ele também concedeu participação societária e bônus em dinheiro aos empregados da MicroSolutions, sua primeira empresa de consultoria em tecnologia.
A proposta de elevar impostos enfrenta críticas, com o argumento de que custos maiores seriam repassados aos consumidores em um cenário de inflação elevada. Cuban discorda. Para ele, cada empreendedor decide as margens de lucro que aceita, e parte do pagamento de tributos gera valor para a comunidade e pode beneficiar o próprio negócio. “Todo fundador que realmente entende do assunto sabe que o maior sucesso vem de alinhar os objetivos e interesses do maior número possível de pessoas”, afirmou.
Os comentários ocorrem em meio ao aumento da concentração de riqueza nos Estados Unidos. Dados do Federal Reserve citados na publicação mostram que, no primeiro trimestre de 2016, os 50% mais pobres detinham cerca de US$ 1 trilhão em ativos, enquanto o 0,1% mais rico possuía US$ 10,75 trilhões. Dez anos depois, a metade mais pobre viu seus ativos crescerem para US$ 4,27 trilhões, mas o grupo mais rico avançou para US$ 25,07 trilhões. Na posse de ações e fundos de investimento, os percentis entre 90% e 99% detêm cerca de US$ 20,5 trilhões, ante menos de US$ 600 bilhões dos 50% mais pobres.
Cuban também alertou para os riscos da disparidade. “Se continuarmos vendo uma desigualdade crescente de renda, corremos o risco de enfrentar instabilidade social e mais divisão. E esse é o imposto mais caro que qualquer empresa pode pagar”, escreveu. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, tem adotado posição semelhante. Segundo o Bloomberg Billionaires Index, a diretora financeira Colette Kress e o vice-presidente executivo Jay Puri ultrapassaram US$ 1 bilhão em patrimônio graças a participações acionárias na companhia. Huang afirmou que revisa a remuneração de todos os 42 mil funcionários e, em 100% das vezes, aumenta os gastos com pessoal. “Quando você cuida das pessoas, o resto se resolve sozinho”, disse.
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