Maioria dos compradores querem pagar até R$ 350 mil em um imóvel em São Paulo
Um levantamento da Loft em parceria com a Offerwise, realizado entre julho e agosto deste ano com 1.400 entrevistados em seis capitais, aponta um desencontro entre as expectativas de compradores e vendedores de imóveis em São Paulo. Enquanto 34% dos proprietários que pretendem vender esperam receber entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões, apenas 20% dos interessados em comprar estão dispostos a pagar nessa faixa. Na outra ponta, 42% dos potenciais compradores buscam imóveis de até R$ 350 mil, mas somente 31% dos vendedores esperam fechar negócio nesse valor.
Segundo o estudo, 31% dos vendedores esperam receber entre R$ 351 mil e R$ 800 mil, faixa em que 30% dos compradores pretendem pagar. Para Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, a divergência está menos ligada à falta de imóveis disponíveis e mais à dificuldade de se chegar a um preço considerado justo pelas duas partes. "A diferença parece estar mais ligada à formação do preço do que falta de produto. Como o Brasil hoje não tem um sistema público quase que universal de informações sobre preço, como o MLS nos Estados Unidos, demora-se muito para que compradores e vendedores consigam chegar no ponto de equilíbrio", afirma.
O levantamento cita dados recentes do ITBI segundo os quais o valor médio das transações na capital paulista é de R$ 792 mil, posicionado entre o orçamento da maior parte dos compradores e a expectativa da maioria dos vendedores. Ainda de acordo com a pesquisa, 74% dos vendedores afirmam que estariam dispostos a conceder algum desconto para concluir a venda, sendo que 37% aceitariam abatimentos de até R$ 50 mil. Estudos internos da companhia mostram que imóveis anunciados por valores mais alinhados ao mercado têm quatro vezes mais chance de receber uma oferta.
A concentração da demanda nas faixas mais baixas é mais evidente entre os jovens adultos. Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, 51,3% pretendem comprar imóveis de até R$ 350 mil, o maior percentual entre as faixas etárias analisadas. Entre solteiros, divorciados e viúvos, 51,9% planejam comprar nessa faixa, proporção que cai para 32,7% entre os casados. No recorte por renda, a intenção alcança 55,6% das classes D e E, 49,4% da classe C e 35% da classe B. Na classe A, apenas 11,9% procuram imóveis nessa faixa, enquanto metade pretende adquirir imóveis entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões.
O crédito segue como peça central: 70% dos entrevistados pretendem recorrer a algum tipo de financiamento bancário, e 30% citam programas habitacionais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida. O FGTS é mencionado por 30% da amostra. Apenas 30% dizem que podem comprar exclusivamente com recursos próprios. Para Takahashi, o avanço do crédito imobiliário em cenário de juros elevados mostra que outros fatores pesam mais na decisão das famílias. "No fim, quem define o momento de comprar um imóvel é a estabilidade e a renda da família e isso segue sendo o fator mais determinante, até mais do que o crédito em si", afirma.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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