Mães da Penha cobram justiça por mortes na Operação Contenção
Mães de vítimas da Operação Contenção voltaram a cobrar, nesta quarta-feira (28), respostas sobre as 122 mortes registradas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. A incursão policial foi a mais letal do estado em 40 anos. Durante ato em memória das vítimas na Vila Cruzeiro, na Penha, a confeiteira Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, de 20 anos, afirmou que o direito à vida não pode ser determinado pelo endereço das pessoas.
"Não existe uma lei para quem mora em um condomínio da Barra da Tijuca e outra para quem mora na favela", disse Tauã, uma das primeiras vozes a denunciar as execuções. Ela relatou que tentou negociar a rendição do filho e pediu aos policiais que a deixassem entrar na área de mata onde ocorreram as mortes, mas não foi autorizada. De madrugada, voltou ao local e, com a luz do celular, encontrou o corpo do filho já coberto por insetos. Em seu discurso, criticou a naturalização da violência e afirmou que "a polícia mata por causa do CEP".
A confeiteira comparou a operação com a apreensão de 240 armas e milhares de munições em um condomínio da Barra da Tijuca, em maio de 2025, quando sete pessoas foram presas e ninguém morreu ou foi baleado. "Segurança de verdade é proteger a vida. E é isso que estamos pedindo hoje", reiterou. As famílias também criticaram o uso político das mortes e cobraram o resultado das investigações criminais. Passado um ano, relataram que não tiveram acesso aos laudos das perícias nem aos depoimentos prestados aos investigadores.
Outras mães presentes ao ato reforçaram a cobrança. Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, disse que o coração da família está "despedaçado por falta de respostas" e que a Justiça "está para prender e não matar". Ana Paula Muniz, dona de um salão de beleza e mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, lembrou que enterrou o filho um dia antes do aniversário dele e aguarda um laudo que esclareça as circunstâncias da morte.
Jovens ativistas defenderam que a atuação do poder público não se limite a operações, mas fortaleça serviços públicos e projetos sociais. "Temos sonhos aqui dentro, existe vida e esperança", afirmou Natan da Silva. Moradora da Penha, Jéssica Soares de Oliveira lembrou que a operação deixou famílias enlutadas e crianças traumatizadas. "A gente, aqui, vive com medo", declarou. O ato teve apresentações de crianças e jovens, roda de capoeira e poesia.
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