Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm apoio reduzido nesta eleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas eleitorais, chegam à disputa presidencial com um arco de apoio menor do que suas legendas alcançaram em 2022. Pela primeira vez desde 1989, nenhum candidato além de Lula conseguiu montar uma coligação, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Grandes partidos do Centrão, como PP e Republicanos, optaram pela neutralidade na corrida nacional para priorizar a eleição de bancadas no Congresso.
Segundo cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil, a estratégia reflete mudanças estruturais: uma bancada numerosa garante acesso a mais recursos via emendas parlamentares (R$ 61 bilhões em 2026) e obriga o presidente eleito a negociar com as siglas. "Aqueles tempos de coligações entre partidos de centro e de partidos grandes e médios não existem mais", afirma o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice. A polarização regional entre lulismo e bolsonarismo também dificulta uma posição única nacional, levando as siglas a manter neutralidade para que lideranças estaduais apoiem candidatos locais.
No caso de Flávio Bolsonaro, a resistência de PP e Republicanos em repetir o apoio dado a Jair Bolsonaro em 2022 reduziu as opções de vice. O escolhido foi o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), de pouca projeção nacional. "O Centrão não comprou a candidatura do Lula, não comprou a do Flávio, nem de outro candidato. Isso deixou o Flávio sem opções", diz o analista político Creomar de Souza, da consultoria Dharma.
Lula, por sua vez, reúne sete legendas, mas restritas à esquerda: PCdoB, PV, PSOL-Rede, PSB e PDT, além do PT. O vice será novamente Geraldo Alckmin (PSB). Em 2022, o petista tinha apoio de dez partidos e o mote da "frente ampla", com endosso de expoentes do mercado financeiro, como os ex-presidentes do Banco Central Henrique Meirelles e Armínio Fraga — o que não ocorreu neste ano até o momento. Para Creomar de Souza, esse caráter se esvaziou por escolhas do governo, como a manutenção dos principais ministérios nas mãos do PT. "O partido elegeu 13% dos deputados e ficou com quase 40% do orçamento da Esplanada", recorda.
O tempo de propaganda eleitoral será divulgado pelo TSE em 20 de agosto. Considerando as convenções, apenas quatro candidatos devem ter direito à propaganda gratuita: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Lula terá o maior tempo, seguido de Flávio. Os partidos terão direito a quase R$ 5 bilhões para financiar campanhas, distribuídos conforme o tamanho das bancadas — o PL é o maior beneficiado.
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