Lula minimiza influência no STF e relação de aliados com Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º), em entrevista ao Flow Podcast, que não exerce influência sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e que não interfere nas decisões dos ministros. Dos 11 ministros que atualmente integram a Corte, Lula indicou seis: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux, ao longo de seus três mandatos na Presidência.
Lula também minimizou as relações de aliados e de pessoas de seu entorno com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao afirmar que o caso precisa ser investigado. O presidente saiu em defesa de Ricardo Lewandowski e de Guido Mantega ao comentar a relação de ambos com o banco. Questionado sobre os contratos firmados, disse que Lewandowski, ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, tinha o direito de atuar como advogado depois de deixar a Corte, enquanto Mantega prestava consultoria. "O Lewandowski trabalhou no banco, ele era advogado, ele deixou de ser ministro, foi contratado, foi trabalhar. Qual é o problema? O Guido era consultor. Qual é o problema?", afirmou.
Em seguida, o presidente declarou que, como chefe do Executivo, não pode agir como juiz ou delegado e que o caso alcançou uma dimensão que exige investigação. Segundo Lula, o episódio pode se transformar em uma das maiores crises do país. "Esse Vorcaro não era apenas um ladrão, era um mágico, envolvia todo mundo", disse. O presidente citou viagens em aeronaves ligadas ao empresário e defendeu que o público conheça o conteúdo das investigações. Conforme a apuração, Vorcaro esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto durante o atual governo, incluindo uma reunião com Lula em dezembro de 2024, fora da agenda oficial, quando o banco já enfrentava dificuldades.
Lula também defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário. Entre as propostas, citou a criação de mandatos para ministros do STF e de um conselho formado pela sociedade civil para participar da indicação dos integrantes da Corte. Questionado sobre relações de pessoas próximas a ele com investigados, afirmou não conhecer a lobista Roberta Luchsinger, amiga de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a chamou de "Vorcaro feminino" e de "pilantra". A Polícia Federal investiga Roberta por suspeitas de tráfico de influência, com mensagens trocadas com Lulinha sobre negócios e reuniões com integrantes do governo, além de uma viagem de familiares que teria sido financiada por ela, com orçamento de cerca de R$ 1,8 milhão encontrado no celular da lobista.
Sobre o filho, Lula disse que não pretende protegê-lo e que quer que o inquérito avance e que ele preste depoimento. "Se não fez nada, que brigue; se fez, pagará pelo erro", afirmou. Na entrevista, o presidente também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na disputa presidencial, afirmando que ele não teria experiência para ocupar a Presidência. Sem apresentar provas, associou o senador a milicianos e citou relações dele com pessoas ligadas ao caso Master, mencionando uma "relação amorosa" entre Flávio e Vorcaro em referência a contatos entre os dois.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar