Lula enfrenta pressão econômica parecida com a que atingiu Dilma
Dez anos após o impeachment de Dilma Rousseff, o governo Lula enfrenta um cenário de incertezas econômicas e queda de popularidade que, segundo especialistas, guarda semelhanças com o período que antecedeu a crise de 2016. O ponto central de aproximação é a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas: o atual governo gasta mais do que arrecada, repetindo a lógica de ampliar despesas e aumentar o endividamento em relação ao PIB, o que gera desconfiança em investidores e no setor produtivo.
A grande diferença, no entanto, está na articulação política. Enquanto Dilma perdeu apoio parlamentar após confrontar lideranças da Câmara, Lula demonstra maior pragmatismo ao dividir poder e recursos com o Centrão, grupo que controla a maioria das votações no Congresso. Ao garantir emendas parlamentares e influência no orçamento, o presidente consegue estabilidade política e se protege contra tentativas de interrupção do mandato. A insatisfação é mais visível na classe média, entre empresários industriais e no agronegócio, que criticam a falta de foco na redução de gastos, enquanto a carestia pressiona o poder de compra da população.
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