Liderados por Trump, 14 países da região se comprometem a combater facções e cartéis; documento cita PCC e CV
Um grupo de 14 países latino-americanos e caribenhos liderado pelos Estados Unidos, conhecido como Escudo das Américas, divulgou nesta terça-feira (22/9) um comunicado no qual afirma estar disposto a impor sanções a 24 facções criminosas, entre elas duas brasileiras, classificadas pelo grupo como "narco-terroristas". O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que poderá usar força militar na América Latina para garantir os "interesses vitais" do país sobre a região.
As facções brasileiras mencionadas no documento são o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em maio, os Estados Unidos já haviam designado as duas organizações como terroristas — medida criticada pelo governo brasileiro sob o argumento de que poderia abrir espaço para intervenções militares americanas em território nacional.
A intenção declarada pelo Escudo das Américas coloca o Brasil na contramão da maioria dos países da América do Sul. Dos 11 países da região, sete integram o grupo e assinaram o documento: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru. Não assinaram Brasil, Uruguai, Suriname e Venezuela.
O texto trata o crime organizado como ameaça conjunta e prevê o congelamento de ativos, a restrição de vistos para pessoas associadas a essas organizações e o processamento de quem ofereça suporte material ou logístico às facções. O documento também pede que a Organização dos Estados Americanos (OEA), sediada em Washington, convoque reunião para debater uma resolução conjunta sobre o combate às organizações criminosas da região.
Para a professora de Relações Internacionais da Unifesp, Carol Pedroso, as sanções são um "mau sinal para o Brasil", que já estava "cercado" de aliados militares em potencial dos EUA e agora fica "praticamente encurralado" com as adesões de Peru e Colômbia. Segundo ela, a medida poderia abrir caminho para ações militares tanto na fronteira quanto em território brasileiro. A avaliação da professora e de diplomatas ouvidos em caráter reservado é de que o foco de Trump sobre a América Latina atinge diretamente o Brasil, ainda que o país não tenha sido citado nominalmente.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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