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Koovakad: a fraternidade não permaneça no papel, mas seja vivida nas Igrejas, escolas e famílias

Atualizado em 17/09/2026 às 07:05 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, afirmou que a fraternidade entre religiões não pode permanecer apenas no papel, mas precisa ser vivida concretamente nas igrejas, nas escolas e nas famílias. A declaração consta de entrevista sobre a Nota “Um caminho de esperança”, publicada 60 anos depois da Nostra aetate, documento do Concílio Vaticano II que redefiniu a postura da Igreja Católica diante das outras religiões.

Segundo o cardeal, a experiência à frente do dicastério mostra um diálogo com raízes estruturais profundas, mas que precisa enfrentar novas tensões. Ele lembra que a Nostra aetate não é um texto isolado: já em 1964, antes mesmo de sua promulgação, São Paulo VI havia criado o Secretariado para os Não Cristãos, hoje Dicastério para o Diálogo Inter-religioso. Esse órgão, junto com as comissões para as relações com o judaísmo e com o islamismo, transformou uma intuição conciliar em estrutura permanente da Cúria e da missão da Igreja.

Koovakad descreve uma mudança estrutural de perspectiva: passou-se de atitudes de rejeição, desconfiança ou simples ignorância para relações duradouras de amizade entre líderes religiosos, projetos educacionais e sociais compartilhados e declarações conjuntas diante de guerras e crises humanitárias. O diálogo, diz, se articula em vários níveis — da vida cotidiana, das obras, dos intercâmbios teológicos e da experiência religiosa e monástica — e deixou de ser atividade periférica para se tornar dimensão constitutiva da missão evangelizadora.

Entre os frutos citados estão o caminho da fraternidade com o islamismo, a extensão do diálogo às grandes tradições asiáticas — hinduísmo, budismo, jainismo, sikhismo, xintoísmo, taoísmo e confucionismo — e às religiões tradicionais africanas. Instrumentos como a revista Pro Dialogo, as mensagens de felicitações pelas festas de outras tradições, a colaboração com o Conselho Ecumênico das Igrejas, a Rede de Mulheres para o Diálogo Inter-religioso e os fóruns dos “Jovens em Diálogo” integram hoje o trabalho cotidiano do dicastério. Ele menciona ainda a abertura a “novos movimentos religiosos”, em encontros centrados na vida social, nos valores e na colaboração pelo bem comum.

O cardeal também aponta desafios: fundamentalismos, instrumentalização política da religião e, em vários países, um secularismo que reduz a questão religiosa a folclore ou opinião privada. Nas sociedades pluralistas ocidentais, observa, o diálogo corre o risco de ser confundido com relativismo; em outros contextos, de ser sufocado pela violência ou pela falta de liberdade religiosa para os cristãos. A Nota, segundo ele, não esconde as feridas — perseguições a cristãos, tensões ligadas aos conflitos no Oriente Médio, preconceitos persistentes de ambos os lados e a manipulação política das identidades religiosas — e sustenta que a convivência pacífica é possível, mas não automática.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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