Koch: é impossível ser discípulo de Cristo e, ao mesmo tempo, antissemita
O cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, afirmou que é impossível ser discípulo de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, antissemita. A declaração consta de entrevista sobre “Um caminho de esperança”, nota publicada por ocasião dos 60 anos da declaração conciliar Nostra aetate.
Segundo Koch, o Concílio Vaticano II condena o antissemitismo não apenas por razões políticas, mas também movido pela “caridade religiosa evangélica”. Ele recordou que todos os Pontífices que se sucederam desde o Concílio reafirmaram essa posição com grande convicção, e que o Papa Leão XIV voltou a ressaltá-la. O cardeal acrescentou que o povo judeu deve saber que, na Igreja Católica, tem um parceiro confiável na luta contra o recrudescimento do antissemitismo nos dias de hoje.
Sobre a importância das raízes judaicas para a fé cristã, Koch citou o artigo 4 de Nostra aetate, segundo o qual o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão. Para ele, a relação com o povo de Israel é parte integrante da autoconcepção da Igreja Católica, que não poderia compreender a si própria sem referência ao judaísmo. O documento fala de um “patrimônio espiritual comum” entre judeus e cristãos, que deve ser recordado e mantido vivo na catequese e no anúncio do Evangelho, com o aprofundamento da unidade entre o Antigo e o Novo Testamento no pensamento cristão e na liturgia.
O cardeal também abordou o impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre o diálogo judaico-cristão. A nota reconhece que os conflitos que irromperam na região nos últimos anos deixaram sua marca nesse diálogo e que muitas pontes de comunicação vacilaram. Koch observou que, do lado judaico, cresce a preocupação de que a solidariedade cristã esteja cada vez mais vinculada a condições políticas, enquanto muitos cristãos vivem uma dolorosa tensão entre seu vínculo com o povo judeu e sua obrigação ética para com os que sofrem em Gaza, sobretudo as vítimas civis.
Diante desse cenário, o prefeito do Dicastério defendeu que o diálogo não seja interrompido. Ele citou o Papa Leão XIV, para quem, mesmo em tempos difíceis marcados por conflitos e incompreensões, é necessário continuar com entusiasmo esse diálogo. A Igreja reconhece, segundo Koch, sua obrigação de trabalhar pela paz tanto para o povo israelense quanto para o povo palestino, e a Santa Sé sempre esteve convencida de que somente a criação de dois Estados poderá trazer a paz ao Oriente Médio.
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