Imprensa internacional destaca avanço da direita no Brasil e vantagem de Flávio sobre Lula no 1º turno
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no domingo (4), repercutiu na imprensa internacional. Com mais de 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O New York Times associou uma eventual vitória de Flávio à ascensão da direita na América Latina. Segundo o jornal, o resultado representaria "a maior vitória até agora para a direita em ascensão" na região. A publicação também destacou a proximidade de Flávio com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que candidatos alinhados ao republicano em temas como combate ao narcotráfico e oposição à chamada ideologia "woke" venceram eleições recentes na região.
A agência Reuters afirmou que Flávio "superou as expectativas" e lembrou que ele terminou à frente de Lula após desempenho superior ao indicado pela maior parte das pesquisas. O Washington Post citou o desempenho de candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas disputas de domingo e mencionou uma suposta influência de Trump na campanha brasileira. A Associated Press relacionou o resultado ao cenário latino-americano: uma vitória de Flávio ampliaria a influência dos EUA na região, enquanto uma vitória de Lula manteria o Brasil "mais distante de Washington" e aprofundaria relações com a China.
Na Europa, o francês Le Monde classificou como "surpresa" a liderança de Flávio no primeiro turno, contrariando projeções de pesquisas. O britânico The Guardian também ressaltou que o resultado contrariou os levantamentos e observou o bom desempenho da direita nas disputas para o Congresso. O espanhol El País afirmou que a "onda ultraconservadora que percorre a América Latina" chegou com força ao Brasil e citou a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e o avanço do PL no Congresso.
Na Argentina, o La Nación disse que o resultado confirmou um perfil "cada vez mais conservador" do Brasil, enquanto o Clarín classificou o cenário como uma "surpreendente e dramática reviravolta". Líderes e figuras da direita também se manifestaram. O presidente argentino, Javier Milei, escreveu que "a liberdade avança no Brasil" e parabenizou Flávio pela "eleição histórica". O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou que "a verdadeira mudança é derrotar a esquerda". A líder opositora venezuelana María Corina Machado elogiou a "jornada democrática exemplar", e o ex-presidente colombiano Iván Duque disse que a votação fortaleceu "a institucionalidade e o respeito pela vontade popular". Nos EUA, a deputada republicana María Elvira Salazar afirmou que os brasileiros enviaram uma "mensagem retumbante" de que querem o fim do governo Lula.
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