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IA amplia escala das campanhas, mas não é atalho para vencer eleição, diz cientista

Atualizado em 24/08/2026 às 07:05 schedule 3 min de leitura visibility 25 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A menos de dois meses do primeiro turno das eleições de 2026, a inteligência artificial generativa se consolidou como ferramenta de escala nas campanhas digitais, mas não representa, por si só, um atalho para a vitória nas urnas. A avaliação é do cientista político Renato Dolci, para quem a tecnologia reduz o custo de produção de variações de uma mesma mensagem, enquanto o protagonismo da distribuição continua nas mãos das redes sociais.

“A novidade da IA está em reduzir drasticamente o custo de produzir variações da mesma mensagem, mas o protagonismo continua com as redes sociais, porque são elas que organizam a distribuição e determinam o que chega ao eleitor. Na prática, a IA amplia a oferta, mas as plataformas continuam administrando a atenção”, afirma. Levantamento próprio do pesquisador identificou 6.022 vídeos rotulados como produzidos por IA nas duas últimas semanas de julho, contra cerca de 600 nas duas semanas anteriores — um crescimento de dez vezes. No mesmo período, porém, o engajamento desses conteúdos foi ínfimo: retirados os dez vídeos de grandes candidatos, os outros 6.012 materiais somaram apenas 117 interações.

O baixo interesse do eleitorado por esse tipo de conteúdo é corroborado por pesquisa Quaest: 73% dos brasileiros reprovam o uso de IA em campanhas feitas por candidatos. A rejeição aparece em todas as faixas etárias — 68% entre jovens de até 34 anos e 76% entre eleitores acima de 60 anos.

O tema ganhou repercussão após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) utilizar, em sua convenção, um vídeo com a imagem do pai, Jair Bolsonaro, gerado por inteligência artificial. A peça, que deixava explícito o uso da tecnologia, foi alvo de denúncias de partidos aliados ao governo federal. O Tribunal Superior Eleitoral se reuniu a portas fechadas na terça-feira (18) para discutir o uso da IA pelas candidaturas, mas ainda não há data para julgamento.

Para Dolci, a regulamentação deve se concentrar na intenção de enganar, na relevância política da manipulação e na possibilidade de o eleitor identificar a alteração. “A rotulagem é importante, mas não pode servir como salvo-conduto para uma falsificação capaz de produzir dano antes que o público consiga compreendê-la”, diz. O cientista político defende que a Justiça Eleitoral estabeleça um piso de proteção sem transformar toda linguagem política em infração, e lembra que a IA não tem lado ideológico: “Os algoritmos, em si, não são ideológicos, mas, sim, mercadológicos”.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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