Golpe usa site falso do TSE e cobra taxa via Pix para “regularizar” título eleitoral
Às vésperas do primeiro turno das eleições, criminosos criaram um site falso que imita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar uma suposta taxa de regularização do título de eleitor via Pix. O alerta foi feito pela empresa de cibersegurança ESET, que identificou a página fraudulenta durante monitoramento de ameaças digitais relacionadas ao processo eleitoral.
A fraude começa em uma página intitulada "Consulta de Situação Eleitoral", criada para se parecer com um serviço oficial da Justiça Eleitoral. Ao informar o CPF, o usuário vê mensagens como "Seus dados são protegidos" e elementos visuais semelhantes aos de plataformas governamentais. Em seguida, o sistema exibe dados pessoais reais da vítima, como nome completo e nome da mãe, além de campos mascarados do título de eleitor, da zona e da seção de votação.
O eleitor é então informado de que seu título está irregular, com um aviso destacado pela palavra "PENDENTE". A página aponta uma suposta dívida de R$ 47,90, dividida entre multa eleitoral, encargos administrativos e taxa de regularização cadastral. Para pressionar, os criminosos afirmam que a falta de pagamento pode suspender o direito ao voto, impedir a participação nas eleições e restringir o acesso a benefícios governamentais.
Segundo a ESET, durante os testes dos pesquisadores, todos os CPFs válidos consultados apresentaram a mesma suposta pendência e o mesmo valor a ser pago — um dos principais indícios de golpe. Ao optar por quitar o débito, a vítima é direcionada a uma página com QR Code e código Pix Copia e Cola. O destinatário exibido, porém, não é o Tesouro Nacional nem qualquer instituição ligada à Justiça Eleitoral, mas uma empresa sediada em Curitiba. A ESET afirma não ter conseguido confirmar se a empresa participa diretamente da fraude ou atua apenas como intermediária de pagamentos.
"A exibição de dados pessoais verdadeiros pode fazer o eleitor acreditar que está em um serviço oficial. Ao combinar essas informações com ameaças de impedimento para votar, os criminosos criam uma sensação de urgência para induzir o pagamento sem que a vítima confira o endereço da página ou o destinatário do Pix", explica Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET.
Quem já efetuou a transferência deve procurar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Especialistas também recomendam registrar boletim de ocorrência e monitorar movimentações bancárias e contatos suspeitos, já que os dados informados podem ser usados em novas tentativas de fraude. A ESET orienta consultar a situação eleitoral apenas pelo site do TSE ou pelo aplicativo e-Título, desconfiar de links recebidos por mensagens e verificar o destinatário do Pix antes de concluir qualquer pagamento.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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