FIDCs: fundos têm maior “apagão” do ano, e Anbima acende alerta
FIDCs: fundos têm maior “apagão” do ano, e Anbima acende alerta
Os fundos estruturados receberam R$ 108 bilhões em novos investimentos no ano e caíram no gosto dos investidores, mas o avanço acelerado do segmento também aumentou o risco de falhas de transparência. No caso dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), os dados mostram que aumenta o número dos que falham na divulgação de seus informes mensais.
Segundo levantamento da Uqbar, empresa de inteligência de mercado especializada em dados de fundos estruturados, 46 FIDCs de 12 administradores não entregaram em julho as informações do mês anterior. É o maior número mensal do ano. O aumento do “apagão” na classe ocorre em um momento em que o mercado eleva a preocupação com a saúde dos veículos de crédito diante das seguidas recuperações judiciais e do temor de desaceleração mais forte da economia.
O número de FIDCs com informações atrasadas é preocupante, afirma Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar. Ele lembra que a ausência de informes mensais representa o descumprimento de uma obrigação básica para a transparência e a supervisão do mercado. Segundo Marrucho, os problemas se concentram em administradores ligados a grupos citados em processos judiciais ou investigações criminais, como a CBSF, atual denominação da Reag Trust DTVM, além de WNT, Planner e Banvox. A CBSF teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro, por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, no âmbito das apurações sobre o Banco Master. “Mas a presença de outros administradores, como QI e Oslo, demonstra que as falhas não estão restritas a esse grupo”, acrescenta.
A falta de informações entrou no radar da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A entidade reforçou neste mês junto às instituições a importância do envio periódico e completo dos documentos exigidos, entre eles informes de FIDCs e fundos imobiliários (FII), além de demonstrações contábeis de fundos de investimento em participações (FIPs). O processo de cobrança é contínuo, afirma Audrey Almeida, gerente de Supervisão de Ações Preventivas e Cadastros da Anbima. Ela destaca, porém, que o universo de fundos questionados é pequeno diante do total que hoje envia informações completas e de qualidade. No caso dos FIPs, 60 fundos foram questionados em um universo de mais de 2 mil carteiras. Já nos FIDCs, foram 120 de um total de mais de 4 mil classes, unidade em que esses fundos passaram a ser contabilizados desde a entrada em vigor da Resolução CVM 175.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar