Febre do Nilo Ocidental: 8 perguntas e respostas sobre a doença que teve casos confirmados no Brasil
A confirmação de quatro casos de Febre do Nilo Ocidental em humanos no Brasil — dois em Santa Catarina e dois em São Paulo — acendeu o alerta para uma doença ainda pouco conhecida pela população. Há ainda um caso em investigação no Piauí. Em Santa Catarina, uma paciente morreu, e a investigação busca determinar se a infecção pelo vírus foi a causa do óbito.
A doença é uma infecção viral aguda causada pelo Vírus do Nilo Ocidental, da família dos flavivírus, a mesma de dengue, zika e febre amarela. Identificado em 1937 em Uganda, o vírus circula hoje em praticamente todos os continentes. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos infectados, em especial os do gênero Culex — os pernilongos comuns —, que adquirem o vírus ao picar aves infectadas. O ciclo básico é ave, mosquito e pessoa, sendo o ser humano um hospedeiro acidental. Não há transmissão de pessoa para pessoa por abraço, beijo, tosse ou espirro; formas como transfusão de sangue, transplante de órgãos ou transmissão materno-infantil são raras.
Estima-se que cerca de 80% das infecções sejam assintomáticas ou causem sintomas leves. Os outros 20% podem apresentar febre de início agudo, dor de cabeça, dor muscular, náusea, vômito e diarreia, com melhora espontânea na maioria dos casos. Menos de 1% dos infectados, porém, pode desenvolver formas neurológicas graves, como encefalite. O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, incluindo testes de anticorpos e RT-PCR, mas pode ser difícil porque os sintomas iniciais se confundem com os de outras arboviroses e alguns testes apresentam reação cruzada. Não há vacina nem tratamento antiviral específico; o manejo é feito com medidas de suporte, como hidratação e controle de sintomas.
Os primeiros sinais da chegada do vírus ao Brasil surgiram em 2009, com anticorpos detectados em cavalos e galinhas no Pantanal. O primeiro caso humano foi registrado em 2014, em um homem de 52 anos no Piauí. Em 2018, pesquisadores isolaram o vírus pela primeira vez no país, extraído de um cavalo morto no Espírito Santo. Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu em Imbituba, e outro caso foi confirmado em Caçador, em um homem de 56 anos que recebeu alta após internação. Em São Paulo, os casos são de uma moradora de Ribeirão Preto, de 34 anos, com histórico recente de viagem à região amazônica e já curada, e de uma adolescente.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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