EUA analisam pedido de novas sanções contra ministros do STF
O governo dos Estados Unidos recebeu pedidos formais para aplicar sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. A articulação, conduzida por figuras políticas brasileiras em Washington em setembro de 2026, usa desdobramentos recentes da crise envolvendo o Banco Master para tentar incluir os magistrados na lista de restrições da Lei Magnitsky.
A motivação central do pedido está em suspeitas levantadas durante investigações da Polícia Federal que envolvem o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes. Foram identificadas mensagens que sugerem pedidos de auxílio em processos de interesse da instituição financeira, além de contratos firmados entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro. Moraes contesta as suspeitas e afirma que os textos não comprovam diálogos reais e que as conversas ocorriam por imagens temporárias. Os articuladores em Washington, porém, usam esses elementos como novos indícios de possível favorecimento e corrupção.
A Lei Magnitsky permite que os Estados Unidos punam estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou de envolvimento em práticas de corrupção. Na prática, o sancionado tem bens e contas bloqueados nos EUA, e cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de fazer negócios com ele. No caso de magistrados brasileiros, isso pode significar o bloqueio de cartões de crédito de bandeiras americanas e dificuldades em transações financeiras internacionais, afetando patrimônio mantido fora do Brasil.
Não há impedimento jurídico ou administrativo para que uma pessoa volte à lista após ter sido retirada. Moraes foi incluído na Lei Magnitsky em julho de 2025, sob acusação de autorizar prisões preventivas arbitrárias, e teve as medidas suspensas em dezembro do mesmo ano. Especialistas em direito explicam que o Tesouro americano e o Departamento de Estado têm autoridade para reconsiderar o caso a qualquer momento, desde que entendam que as novas revelações se enquadram nos critérios de abusos de direitos ou corrupção governamental.
Os efeitos das punições em território brasileiro são considerados limitados. Como a sanção americana não equivale a uma condenação judicial no Brasil, as autoridades internas não são obrigadas a executar as punições. Na experiência anterior, em 2025, o ministro teve cartões de crédito bloqueados, mas pôde continuar operando financeiramente em moeda nacional por meio de bancos que avaliaram que transações em reais não feriam a norma dos EUA. O maior impacto é político e simbólico, com potencial de influenciar o cenário das eleições presidenciais no Brasil, embora Washington deva calcular se a medida não fortalece discursos de defesa da soberania.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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