Empresas vão cortar investimento ao mínimo em 2027 por conta dos juros, espera Fitch
Fitch: juros altos devem levar investimento das empresas ao piso em 2027
O aperto de crédito provocado pelo ciclo prolongado de juros elevados não deve desencadear uma crise, mas tende a levar o investimento das empresas brasileiras ao menor patamar em anos em 2027. A avaliação é de Renato Donatti, diretor sênior de Corporate, Infraestrutura e Project Finance da Fitch Ratings, durante seminário promovido pela agência na terça-feira (1º), em São Paulo.
Segundo o executivo, diante do custo elevado do crédito, as companhias devem cortar exatamente o que conseguem controlar: os investimentos. “Arrisco dizer que 2027 vai marcar o menor nível de investimento das empresas brasileiras, pelo menos das que a gente cobre, em relação à depreciação”, afirmou. Na prática, a tendência é que os aportes fiquem próximos do mínimo necessário apenas para preservar a qualidade dos ativos.
Donatti não vê risco de liquidez generalizado no país, mas observa maior disposição das empresas de buscar proteção contra credores na Justiça ou fora dela. Investidores e bancos, por sua vez, estariam mais receosos em financiar companhias com balanços estressados e queima recorrente de caixa. O executivo destacou que, das 25 empresas rebaixadas pela Fitch neste ano, 40% sofreram pressões no fluxo de caixa e outros 40% enfrentaram problemas de liquidez ou reestruturação de dívida.
Entre os setores mais sensíveis estão varejo e consumo, afetados pelo endividamento das famílias, e a saúde, que cresceu com fusões financiadas por dívida barata e responde por boa parte dos rebaixamentos. Para 2027, há ainda preocupação com o agronegócio, por causa de efeitos climáticos e do custo de fertilizantes, e com projetos de infraestrutura: um terço dos acompanhados pela agência tem perspectiva negativa, sendo metade deles de energia eólica e solar.
O executivo pondera que, diferente da crise de 2015-2016, não há hoje um problema de demanda, com receitas e rentabilidade preservadas. Ele também minimiza riscos de refinanciamento: dos cerca de R$ 300 bilhões em vencimentos de dívida corporativa, a maior parte já foi financiada, e os próximos anos preveem cerca de R$ 210 bilhões anuais, patamar considerado administrável. Para 2026 e 2027, a expectativa é de melhora marginal, condicionada à velocidade do corte de juros e à estabilidade geopolítica que permita queda da inflação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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