Dólar sobe 0,74% e aproxima-se de R$ 5,50 em dia de cautela fiscal
O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (3) com valorização de 0,74%, cotado a R$ 5,486. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a superar a marca de R$ 5,50, com máxima de R$ 5,509 por volta das 13h50, em meio à cautela dos investidores com os rumos da política econômica brasileira. O movimento ocorreu no primeiro pregão de novembro, após o feriado de Finados e uma semana de forte desvalorização dos ativos nacionais.
Entre os fatores que influenciaram as negociações estão as incertezas fiscais, ligadas a dúvidas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo, e as expectativas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, prevista para quarta-feira (4). Também pesaram a repercussão das propostas do economista André Lara Resende sobre mudanças no regime monetário e o cenário internacional, marcado pelas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e pela valorização do dólar frente a outras moedas. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas de Lara Resende apresentam deficiências e não estão em discussão no governo, além de reforçar a defesa de um ajuste fiscal gradual.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,13%, aos 101,850 pontos, às 17h35.
Bolsa amplia perdas
O Ibovespa fechou a terça-feira em queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, segundo dados preliminares. O índice chegou a perder o patamar dos 165 mil pontos durante a sessão, atingindo a mínima de 164.446,53 pontos, às 11h23. A baixa representou o sexto pregão consecutivo de perdas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro. No último pregão antes da definição das urnas, o índice estava acima de 205 mil pontos.
As ações da Petrobras e da Vale, as mais negociadas, contribuíram para a pressão sobre o indicador, em um pregão marcado por ajustes nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities após o feriado. Enquanto ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos apresentavam recuperação durante a sessão, o mercado brasileiro permaneceu pressionado pelas incertezas domésticas.
Copom no radar
A reunião do Copom concentrou a atenção dos investidores. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado acompanha a possibilidade de manutenção do patamar atual diante da piora das expectativas inflacionárias e da desvalorização do real. O boletim Focus divulgado nesta terça-feira elevou a projeção de inflação para 2027 de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta de 4,5%. A estimativa para a Selic no fim do próximo ano também subiu, de 11,75% para 12,50%. A decisão do Banco Central e o comunicado sobre os próximos passos da política monetária devem influenciar o comportamento dos ativos brasileiros nos próximos pregões.
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